Medicina daqui a 20 anos será totalmente diferente do que existe hoje, diz presidente da Abimed

'Sem tecnologia não se faz absolutamente nada, mas o Brasil está muito atrasado em inovação'

Álvaro Campos, O Estado de S.Paulo

07 Outubro 2016 | 15h39

O uso da tecnologia é irreversível e transformará completamente a medicina nos próximos 20 anos, segundo Carlos Goulart, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para a Saúde (Abimed). "Sem tecnologia não se faz absolutamente nada, mas o Brasil está muito atrasado em inovação", comentou durante palestra no Summit Saúde 2016, promovido pelo Estado

De acordo com Goulart, no mercado de dispositivos médicos os investimentos em pesquisa e desenvolvimento são muito altos, com uma média de 8% do faturamento, considerando as 20 maiores empresas globais. Ele apontou que os produtos evoluem com uma rapidez enorme, tendo um ciclo de vida da tecnologia de 24 a 36 meses.

Entre as áreas com grandes mudanças na atualidade, o presidente da Abimed citou as impressões 3D, que permitem a fabricação de próteses customizadas, com maior rapidez e menor custo. Goulart também mencionou os biosensores, aplicativos de celular e as chamadas tecnologias "vestíveis". "Cada vez mais o cidadão será gerente do seu corpo, mandando informações para os médicos", apontou.

Ele também comentou a questão da robótica e da telemedicina, que hoje ainda é proibida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). "Acredito que o próprio CFM já está revendo essa questão do atendimento médico por telefone ou teleconferência, porque é uma tendência natural". 

Participando do mesmo painel, intitulado "As máquinas do futuro: medical devices e nanotecnologia", a pesquisadora da USP Juliana Cancino falou sobre essa fronteira do conhecimento. Ela citou que atualmente já existem tecnologias que permitem o uso de nanorobôs para diagnóstico e tratamento.

Uma dessas aplicações é o uso de nanopartículas que conseguem detectar somente as células cancerosas. Com isso, através do uso de eletricidade ou magnetismo, os médicos elevam a temperatura dessas nanopartículas e conseguem matar as células doentes, preservando as saudáveis. Também é possível englobar essa partículas em membranas celulares naturais, o que facilita a distribuição desses agentes pelo corpo e diminui a resistência na recepção do remédio.

Por sua vez, Fernando Narvaez, diretor da Siemens Healthineers no Brasil, apontou que quase dois terços dos gastos das operadoras de saúde estão relacionados direta ou indiretamente à tecnologia. "Antigamente, o bom cirurgião era o que fazia a maior cirurgia, o que abria mais o peito do paciente. Hoje em dia a atenção dos médicos está nos monitoremos e equipamentos auxiliares. Quanto menos invasivo o procedimento, maior qualidade e segurança para o paciente", explicou.

Ele mencionou o caso de uma nova tecnologia que permite a detecção de problemas no fígado através de um exame de sangue, sem precisar fazer uma biopsia demorada e dolorosa. "Com isso, não é preciso fazer internação, você economiza muito e ainda zera o risco de contaminação hospitalar no paciente", contou.

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