Renata Okumura/ Estadão
Renata Okumura/ Estadão

Medicina de precisão auxilia na escolha de tratamento contra o câncer

Relação custo-efetividade e diagnósticos avançados foram temas abordados durante simpósio em SP

Renata Okumura, O Estado de S. Paulo

24 Março 2017 | 16h51

SÃO PAULO - A medicina personalizada ou de precisão possibilita a escolha de tratamentos mais eficazes e com menos efeitos colaterais ao paciente com câncer. A biópsia líquida, por exemplo, feita por meio de análise sanguínea, verifica a presença do DNA de células tumorais no paciente de forma pouco invasiva. 

Até este sábado, 25, os principais nomes da Oncologia se reúnem em um simpósio internacional, que debate o presente e o futuro do tratamento de câncer. O evento é organizado pelo Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, em parceria com o Memorial Sloan-Kettering Cancer Center.

"Entendo o desespero do paciente e da família. Nossa obrigação como médico é ajudar a determinar qual é a parcela que se beneficiará com determinado tratamento, porque o custo de uma nova tecnologia é altíssimo até em razão da dificuldade de desenvolvimento. Temos que olhar não só o custo, mas o valor agregado do tratamento", observou o diretor geral do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, Paulo Hoff.

Segundo o especialista, a medicina personalizada ajuda a identificar o que beneficiará o paciente. "É preciso dar a quem precisa, o que funciona. A imunoterapia é administrada por injeções, a cada duas semanas, e faz com que o sistema imunológico do paciente ataque os tumores. A toxicidade diminuiu, a eficácia aumentou, mas ainda não funciona para todos os pacientes. Mas vemos com otimismo a imunoterapia", explicou. 

Custo elevado. Por mês, o paciente gasta de R$30 mil a 50 mil com a imunoterapia, segundo Hoff. Em relação ao que era antes, o valor caiu, mas ainda é alto. O oncologista Paulo Hoff acredita que o preço deve diminuir mais com a chegada de novos produtos no mercado. 

O professor titular do Departamento de Radiologia e Oncologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Carlos Alberto Buchpiguel, acrescenta que o conceito de saúde está baseado em valor, mas  não o financeiro, e sim o de oferecer o melhor desfecho clínico ao paciente com o menor custo possível. "O sistema de saúde não aguenta o crescente aumento de gastos para atender toda a população. E nem todos têm acesso à tecnologia. O custo-efetividade é muito importante na análise da saúde baseada em valor", reforçou. 

Para a coordenadora do Centro de Oncologia Molecular do Hospital Sírio-Libanês, Anamaria Camargo, ainda há muitos desafios com relação ao câncer. "O principal é ter drogas suficientes para tratar todos os tipos moleculares de câncer", concluiu.

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