Ladyrene Perez/Cubadebate/AP
Ladyrene Perez/Cubadebate/AP

Médico cubano é diagnosticado com Ebola em Serra Leoa

Profissional de saúde está sendo levado a Genebra; Banco Mundial reduz impacto da doença na África para entre US$ 3 bi e US$ 4 bi

O Estado de S. Paulo

19 Novembro 2014 | 14h34

FREETOWN - Um médico cubano que tratava pacientes com Ebola em Serra Leoa foi diagnosticado com a doença e está sendo enviado a Genebra, na Suíça, para receber tratamento, informaram autoridades, confirmando o primeiro caso conhecido de um cubano infectado pelo vírus.

O médico, identificado nesta terça-feira, 18, pelo site oficial do regime cubano Cubadebate como Félix Báez, é um dos 165 profissionais de saúde de Cuba enviados a Serra Leoa para combater o Ebola.

Eles fazem parte de uma equipe de 256 profissionais de saúde enviados à África Ocidental para tratar pacientes do pior surto de Ebola já registrado, que deixou mais de 5.000 mortos até o momento.

Báez apresentou febre no domingo, 16, e foi diagnosticado com o vírus nesta segunda-feira, 17, após ser levado para a capital de Serra Leoa, Freetown, de acordo com o Cubadebate, que citou um comunicado do Ministério da Saúde.

Redução do impacto na África. O Banco Mundial atualizou sua previsão de impacto financeiro da epidemia de Ebola sobre a economia da África Subsaariana para cerca de US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões, bem abaixo dos US$ 32 bilhões anteriormente projetados para o mais catastrófico dos cenários, disse o economista-chefe para o continente do banco, Francisco Ferreira, nesta quarta-feira, 19.

"O risco do mais grave caso de impacto econômico do Ebola foi reduzido por causa do sucesso na contenção (do vírus) em alguns países. Não foi reduzido a zero porque um alto nível de prevenção ainda é necessário", disse Ferreira, em Johanesburgo, na África do Sul.

Em um relatório de outubro sobre o possível impacto econômico da epidemia de Ebola, o Banco Mundial disse que, se o vírus se espalhasse significativamente para fora dos países no epicentro do surto - Guiné, Serra Leoa e Libéria -, haveria um custo potencial de dezenas de bilhões de dólares para a África, com a interrupção de comércio transfronteiriço, cadeias produtivas e turismo.

O banco disse que uma resposta em nível global era necessária para prevenir um pior cenário possível, e desde então a Organização das Nações Unidas (ONU) passou a liderar esforços internacionais para o envio de equipes médicas para as zonas atingidas pelo Ebola e o aumento do financiamento destinado à luta contra o pior surto da doença já registrado.

A última contagem da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgada em 14 de novembro, registrou 5.177 mortos em 14.133 casos de Ebola, a maioria nos três país mais atingidos.

Índia. Um indiano de 26 anos que se recuperou de Ebola na Libéria foi colocado em isolamento no Aeroporto de Nova Délhi após vestígios do vírus serem encontrados em seu sêmen, afirmou o Ministério da Saúde da Índia, nesta terça-feira.

A pasta disse que três amostras de sangue do homem testaram negativo para a doença, o que significa que ele é considerado recuperado de acordo com as normas estabelecidas pela OMS e pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês).

O CDC aconselha sobreviventes da doença a evitarem relações sexuais por três meses ou a usarem preservativos porque o vírus pode continuar a ser encontrado no sêmen durante sete semanas após a recuperação.

O ministério declarou que a decisão de isolar o homem foi tomada "como uma forma de precaução abundante" e que ele ficaria sob quarentena em uma unidade especial de saúde no aeroporto até que seus fluidos corporais testassem negativo para o Ebola.

Quando o homem chegou ao aeroporto de Nova Délhi, em 10 de novembro, ele carregava documentos da Libéria confirmando que ele teve sucesso no tratamento da doença e foi considerado livre de que qualquer sintoma. Foi colocado em quarentena por precaução e as autoridades testaram seus sangue por diversos dias.

Não houve relatos de casos de Ebola na Índia ou na Ásia, mas há receios de que um surto possa se espalhar rapidamente na região onde bilhões vivem na pobreza e os sistemas de saúde públicos são frágeis./AP E REUTERS

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