Reprodução
Reprodução

Médico da Unifesp divulga vídeo com informações falsas sobre coronavírus

Em vídeo que viralizou, patologista diz que o novo coronavírus não causa gripe e não é letal, contrariando os dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde, por cientistas e o cenário de pandemia que se instalou

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2020 | 18h29

Um vídeo de um médico, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), viralizou na internet nos últimos dias com mensagens erradas sobre os riscos da doença causada pelo novo coronavírus. O patologista Beny Schmidt, professor da Medicina, que tem um site e um canal no youtube chamado Programa Ciência Livre, afirmou que o coronavírus não causa gripe e não é letal, contrariando os dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde, por cientistas e o cenário de pandemia que se instalou.

No vídeo, feito logo após a comprovação dos dois primeiros casos da doença no Brasil, ele diz que “o vírus não é patogênico, não é capaz nem mesmo de causar a gripe”. E afirma que faz essa manifestação “cientificamente, como patologista da Escola Paulista de Medicina”.

Schmidt também diz que o “vírus está muito longe de letal” e que as mortes ocorridas até então eram de “pessoas que eram portadoras de coronavírus, mas isso não significa, de maneira alguma, que o vírus foi o causador da morte”. Segundo ele, o “vírus não faz mal a ninguém”.

E complementa: “As pessoas morreram de outras comorbidades. A gente morre, todo mundo vai morrer, A gente morre de hipertensão, de diabetes, de câncer, mas de coronavírus a gente não morre, porque Deus não quis, porque esse vírus não é letal.”

Ele sugere ainda que o vírus zika, que se espalhou pelo Brasil em 2016, não teve nenhuma relação com a microcefalia – fato também já bem compreendido pela ciência – e diz que “não vai demorar mais do que três meses e ninguém mais falar de coronavírus”. Ele conclui dizendo que “todo mundo vai perceber que foi uma armação, talvez dos próprios chineses.”

Após o vídeo viralizar, nos últimos dias, o médico o tirou do ar, mas não antes de ser salvo por várias pessoas, que continuam compartilhando-o. O material também caiu em redes de direita e sofreu algumas edições. Nos comentários, muita gente afirma que é a pandemia é armação para esvaziar os protestos marcados para este domingo. Em uma das montagens, publicada nesta quinta-feira, 12, no youtube, já havia mais de 21 mil visualizações até a publicação deste texto.

O Estado tentou falar com Schmidt, mas sua assessora disse apenas que o vídeo foi tirado do ar, que ele não daria mais entrevistas e que foi mal interpretado, mas a assessora não deu detalhes sobre de qual maneira.

A Unifesp não comentou o caso nem se tomou alguma atitude em relação ao pesquisador. Divulgou uma nota vaga dizendo que “orienta toda a sua comunidade a acessar os canais oficiais da universidade como portal e redes sociais oficiais da Unifesp, portal do Hospital São Paulo e o portal específico sobre o coronavírus do Ministério da Saúde para obter informações sobre como evitar contágios, mas também evitar alarmismos e combater notícias falsas”.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.