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Médico é investigado por negar soro a paciente picada por cobra

Segundo marido, advogada foi levada para a rede pública, mas não foi atendida porque tinha convênio particular

Rene Moreira, Especial para o Estado

10 Novembro 2016 | 11h56

FRANCA - A Polícia Civil de Franca investiga a morte de uma advogada de 69 anos que foi picada por uma cobra e não teria recebido atendimento médico na rede pública por possuir plano de saúde particular. O caso foi registrado como omissão de socorro e o médico poderá responder por homicídio culposo (quando não há intenção de matar). 

Segundo o juiz aposentado Nilton Messias de Almeida, sua mulher, a advogada Maria José Alves de Almeida, foi picada por uma jararaca na semana passada, quando seguia para uma capela no interior da fazenda da família, em Patrocínio Paulista (SP). 

Almeida afirma que Maria José foi levada para a Santa Casa de Franca (SP), único local a contar com o soro antiofídico. Ele também levou a cobra morta, para os médicos soubessem de qual espécie de tratava.

De acordo com o juiz aposentado, o médico da Santa Casa informou que não poderia atender a paciente porque ela tinha convênio particular. Diante da insistência, o hospital teria orientado que ela fosse levada ao Hospital do Coração, outra unidade pública, para onde mandariam o soro.

Maria José foi parar no pronto-socorro, voltou para a Santa Casa e, por fim, foi internada em um hospital particular, relata Almeida. O soro demorou três horas para chegar e não surtiu efeito. A paciente morreu no fim de semana. 

Investigação. O delegado Luís Carlos da Silva registrou o caso como omissão de socorro, para apurar a responsabilidade do hospital e de outras pessoas, entre elas o médico. Nesta quinta-feira, Silva começou a ouvir os envolvidos. "O que aconteceu foi algo absurdo. Como ela poderia procurar outro hospital se apenas a Santa Casa tem o soro?", questiona.

Em nota, a Santa Casa culpou Almeida, que, segundo a instituição, deveria ter procurado primeiro a Santa Casa de Patrocínio Paulista. Alegou, ainda, que em Franca ele foi "orientado a procurar o Hospital do Coração para que fosse ministrado o soro antiofídico em função de melhores condições operacionais naquele momento".

Sindicância. O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) informou que está instaurando uma sindicância para apurar o caso e que o procedimento pode demorar entre seis meses e dois anos para ser concluído. Ele vai correr em sigilo.

"O trâmite da sindicância envolve coleta de provas (prontuários, receitas, laudos, fiscalizações e outros documentos), manifestação escrita e, sempre que necessário, audiência com os envolvidos. Se, durante a fase de sindicância forem constatados indícios de infração ética, que consiste no descumprimento de algum artigo do Código de Ética Médica, passa-se à segunda fase: a instauração do processo ético-profissional. Sem indícios, a denúncia é arquivada."

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