Médico especialista em fertilização é investigado por assédio

Roger Abdelmassih, dono da maior clínica de reprodução assistida do País, é acusado por ex-pacientes

da Redação,

09 de janeiro de 2009 | 17h21

O médico Roger Abdelmassih, dono da maior clínica de reprodução assistida do País, está sendo investigado por assédio sexual de pacientes. Pelo menos oito mulheres já prestaram depoimento no Ministério Público do Estado de São Paulo e na Delegacia de Defesa da Mulher. Outras cinco denúncias ainda não confirmadas foram recebidas por telefone nesta sexta-feira, 9, pelos promotores que cuidam do caso, após a publicação de uma reportagem no jornal Folha de S. Paulo.   Segundo o promotor Luiz Henrique Dal Poz, nos depoimentos, as mulheres relataram atitudes parecidas de Abdelmassih durante a aproximação. De acordo com elas, o médico menosprezava os maridos das vítimas, afirmando que o fato de não estarem presentes num momento como aquele mostrava que eles não se importariam com elas. Chama a atenção o fato de as denunciantes serem mulheres que não se conhecem, algumas delas, moradoras de cidades e Estados diferentes.   Segundo apurou o Estado, as denúncias incluem desde casos em que Abdelmassih teria agarrado as pacientes e tentado beijá-las à força até insinuações de abusos sexuais praticados enquanto as pacientes estavam sedadas na clínica. Abdelmassih negou contundentemente todas as acusações e divulgou nota sobre o caso.   Denúncias de conduta antiética e abusos cometidos por Abdelmassih não são novidade. Em março de 2008, apareceu na internet um blog chamado "Grupo de Vítimas do Roger Abdelmassih", no qual foram postadas dezenas de denúncias de assédio sexual e conduta antiética contra o médico.    Na ocasião, a reportagem do Estado procurou o Cremesp e o Ministério Público. Ambas as instituições informaram que não poderiam tomar nenhuma atitude sem que houvesse uma denúncia formal de alguma das supostas vítimas.   Em nota também enviada à imprensa, o advogado de Abdelmassih,  Adriano Salles Vanni, faz referência indireta ao caso, afirmando que seu cliente "vem sendo vítima de uma campanha difamatória via internet há mais de um ano e meio, tendo, por esse motivo, requerido a instauração de dois inquéritos para a apuração dos fatos. Conduta de quem nada tem a esconder".   Vanni também lamenta ainda o que chama de "o pronunciamento prematuro da acusação, antes mesmo do médico ser ouvido".   Leia, abaixo, a íntegra nota do médico Roger Abdelmassih:   A propósito de reportagens veiculadas pela imprensa sobre acusação de assédio, envolvendo meu nome, devo dizer que até o momento meu advogado legalmente instituído não teve acesso integral ao inquérito, o qual ainda não está concluído, pois nem eu nem testemunhas fomos ouvidos.  Não posso, portanto, prestar esclarecimentos sobre depoimentos de denunciantes por mim desconhecidos, de caráter notoriamente duvidoso, que sem provas cabais fazem depoimentos criminosos com o intuito de denegrir minha imagem profissional, construída ao longo de uma carreira de mais de 40 anos, muito bem sucedida.  Confio nos trâmites da Justiça e tenho a certeza de que estará nela a minha resposta. Minha família, meus amigos, meus 20 mil clientes estão nessa certeza comigo. É tudo que tenho a declarar neste momento.  Atenciosamente,Roger Abdelmassih   (com Herton Escobar e Emilio Sant'Anna)

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