Todd McInturf/AP
Todd McInturf/AP

Médico que receitou químio a 553 pacientes saudáveis é condenado

Oncologista americano recebeu pena de 45 anos de prisão por prescrever drogas em excesso para pacientes sem câncer

O Estado de S. Paulo

10 Julho 2015 | 19h51

DETROIT - Um médico americano foi condenado nesta sexta-feira, 10, a 45 anos de prisão por indicar o tratamento de quimioterapia a pelo menos 553 pessoas que não tinham necessidade de ser submetidas ao processo e que, muitas vezes, nem tinham câncer. O doutor Farid Fata, de 50 anos, admitiu ter recebido US$ 17,6 milhões de seguradoras de saúde por trabalhos desnecessários.

O juiz Paul Borman, de Detroit, onde ocorreu o julgamento, considerou que Fata praticou uma “horrenda trapaça” com os pacientes, que eram submetidos a tratamentos desnecessários e que destruíram as suas saúdes.

Borman ouviu testemunhos de mais de 20 vítimas ao longo da semana. Houve relatos de ossos quebradiços, perda dos dentes e até órgãos devastados, resultado da quimioterapia excessiva receitada por Fata.

Em alguns casos, ele indicou dosagem de medicamentos agressivos contra o câncer quatro vezes maior que a recomendada. Em pelo menos uma ocasião, um paciente recebeu quimioterapia por cinco anos, quando o tratamento deveria ter sido de seis meses, de acordo com especialistas que falaram na corte, durante o julgamento. Algumas declarações foram lidas por membros da família de pacientes que morreram.

De acordo com o juiz, Fata “suprimiu toda a compaixão que tinha como médico e se dedicou a ganhar dinheiro”. “Ele cometeu uma série enorme, horrenda, de atos criminais”, afirmou Borman.

Arrependimento. O oncologista caiu no choro repentinamente antes da sentença e pediu por clemência. Ele ainda disse que estava “horrivelmente envergonhado” de sua conduta e que “reza” por penitência.

“Eu fiz mau uso de meus talentos, sim, e permiti que esse pecado entrasse em mim por causa de poder e ganância”, declarou. “Minha ânsia de poder é autodestrutiva.”

Fata já havia se declarado culpado no ano passado por fraude, lavagem de dinheiro e associação ilícita. Sua clínica, Michigan Hematology Oncology, tinha sete consultórios na região de Detroit e uma empresa associada que realizava exames oncológicos. O governo dos Estados Unidos explicou que Farid Fata comandou o esquema de 2009 a 2014. O médico - que nasceu na Líbia, mas foi naturalizado americano - é casado e tem três filhos.

Confiança. Os pacientes ou familiares vítimas do oncologista contrataram um ônibus para comparecer ao tribunal. “Ele agarrou-se a nossa confiança, nosso esgotamento, nossos medos”, desabafou Ellen Piligiam, cujo pai, um médico que já morreu, recebia drogas poderosas que não necessitava para tratar um tumor no ombro. / COM AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Mais conteúdo sobre:
oncologia Farid Fata quimioterapia câncer

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.