Médicos alertam para o uso de colírio com outros remédios

Interações entre produtos podem inibir anticoncepcionais, dar falta de ar, alucinações e até parada cardíaca

Agência Estado

23 de julho de 2010 | 14h35

SÃO PAULO - Não é só uma aguinha, não. O colírio, que tem seu uso aumentado em estações secas como o inverno, é um remédio que, pela fama de inofensivo, participa de interações perigosas com outros medicamentos.

"As pessoas acham que o colírio é uma aguinha qualquer e não prejudica", diz o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto. O produto pode, por exemplo, inibir o efeito de anticoncepcionais.

"Durante o inverno, período em que o tempo seco intensifica a poluição e facilita infecções, o uso de colírios se torna mais comum", afirma Queiroz Neto. "Quem já é alérgico a alguma coisa costuma ter o olho mais seco. Nesta época, associa-se o colírio a outros medicamentos e é preciso ficar atento", completa.

Segundo o médico, com o clima frio, dobra o número de atendimentos por interações medicamentosas com colírio no instituto. A situação chega a atingir 20% dos pacientes.

Além da associação com outros remédios, também são preocupantes as doses exageradas e as aplicações incorretas do colírio. "Basta uma gota entre o globo ocular e a pálpebra inferior. Os pacientes não sabem aplicar", avalia.

Comprar colírios sem orientação médica, defendem os especialistas, pode expor o paciente a complicações de saúde. "Alguns colírios podem provocar parada cardíaca e alucinações em crianças", diz a oftalmologista e chefe da equipe de retaguarda do Hospital 9 de Julho, Ana Luiza Hofling de Lima.

Um exemplo de interação medicamentosa prejudicial é entre o colírio betabloqueador, que serve para controlar a pressão dos olhos, e os remédios broncodilatadores, usados contra problemas pulmonares.

Segundo o médico Luiz Carlos Portes, do Conselho da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, essa interação pode provocar falta de ar e levar até mesmo a um processo asmático. Os efeitos colaterais de interações indevidas também atingem os próprios olhos.

As informações são do Jornal da Tarde.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.