Médicos britânicos condenam competição entre hospitais

O sistema de saúde pública do Reino Unido está sendo prejudicado por seguir em direção a um sistema ao estilo americano, que força os hospitais a competir por fundos e pacientes, alertou hoje o presidente da maior associação britânica de médicos. Mas o governo rejeitou a crítica, feita na conferência anual da Associação Médica Britânica. "Nos Estados Unidos, as pessoas com seguro de saúde têm uma série de opções e grande competição. Mas será que isso está mantendo o preço baixo? Não. Os preços estão subindo rapidamente", disse James Johnson, presidente da Associação Médica Britânica, no início do quarto dia do evento em Belfast. "Isso está mantendo a qualidade alta? Há mais variabilidade no sistema de saúde dos Estados Unidos que em qualquer lugar", disse Johnson. "Pegue os transplantes de coração por exemplo. Eles são oferecidos em 139 hospitais. O melhor tem um índice de sobrevivência de um ano de quase 100%; o pior é perto de zero". "Nos Estados Unidos, erros de diagnóstico são comuns. Erros de tratamento evitáveis são comuns. Eles possuem um sistema de saúde em que todos os parâmetros da escolha e da competição não estão funcionando. A última coisa que o Reino Unido deve fazer é seguir o modelo americano de saúde. De todos os sistemas do mundo, nós não deveríamos ir para esse", ele disse. O ministro da Saúde, Lord Warner, insistiu que o programa de reforma do governo estava dando aos médicos mais controle sobre seus orçamentos e o leque de serviços que poderiam fornecer. "Sabemos que a mudança não é fácil, mas isso não significa que nós deveríamos estar com medo dela, ou que não deveríamos realizá-la", disse Warner. "Os pacientes querem serviços que respondam mais às suas necessidades, e as reformas são projetadas para alcançar isso". "Precisamos ir ainda mais além se queremos tornar o Serviço Nacional de Saúde (NHS) realmente suscetível às necessidades dos pacientes, com acesso aos tratamentos ainda melhores e mais opções de serviços - especialmente para aqueles com maiores necessidades". O governo do primeiro-ministro Tony Blair fez da reforma do NHS uma prioridade, citando as longas listas de espera por operações e outros cuidados essenciais. Mas grupos de médicos e enfermeiras vêm resistindo aos esforços do governo de introduzir a competição e maior confiança nas fontes privadas de financiamento, insistindo que um financiamento melhor do Estado para assegurar padrões mais altos em todos os hospitais é a melhor maneira de proceder. A Associação Médica Britânica representa cerca de 135 mil médicos.

Agencia Estado,

26 de junho de 2006 | 16h01

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