Médicos comemoram progressos em cirurgia de tórax

A equipe do cirurgião Paschoal Napolitano Neto, chefe do setor de Cirurgia Pediátrica do Hospital Professor Edmundo Vasconcelos, está em festa. Pioneiros no Brasil na aplicação da técnica desenvolvida pelo médico americano Donald Nuss, os cirurgiões vêm colhendo, depois de três anos, os primeiros resultados da cirurgia de correção do peito escavado (tórax de sapateiro) em crianças e adolescentes. Minimamente invasiva e vídeoassistida, a cirurgia dura em média 90 minutos e substitui a operação tradicional, na qual o peito do paciente era aberto, como nas cirurgias de coração e que, de tão traumática, chegava a ser recusada por alguns médicos. O novo método consiste em introduzir uma estreita barra de metal no tórax do paciente, de modo que ela force os arcos costais a se realinharem, corrigindo o problema. "A barra é moldada na hora com as dimensões adequadas ao peito do paciente. São feitas duas pequenas incisões na lateral do tronco, entre as costelas, por onde será introduzida a barra definitiva", explica Napolitano Neto. Dessa forma, eleva-se o osso esterno e, com o tempo, a deformidade dos arcos costais vai sendo corrigida. Cada paciente permanece com a barra por dois ou três anos e, após três meses sem exercer atividades físicas, leva uma vida normal. O custo da operação é alto, podendo chegar a R$ 35 mil (só a barra é R$ 25 mil). O peito escavado acomete crianças de todas as classes e aparece na pré-adolescência, aprofundando-se nos estirões. O conselho dos especialistas é que se faça a cirurgia nessa fase. Os pacientes se queixam de dor no peito, dificuldade para respirar e palpitações. A longo prazo, porém, o peito escavado pode desencadear protusão abdominal e má postura. As principais conseqüências da deformidade, no entanto, são de ordem psicológica. "Imagine você, num país tropical, uma menina ficar impedida de usar biquíni ou um menino de jogar futebol sem camisa", diz Napolitano Neto. "Os resultados das cirurgias têm sido tão impressionantes, que a gente chora junto."

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