HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO
HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Médicos cubanos começam a deixar o País em 10 dias, diz Embaixada

Prazo foi informado pela Embaixada de Cuba a representante dos secretários municipais de saúde

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

15 Novembro 2018 | 18h01
Atualizado 16 Novembro 2018 | 15h48

SÃO PAULO - Os profissionais cubanos integrantes do programa Mais Médicos começarão a deixar o Brasil daqui a dez dias, segundo informou nesta quinta-feira, 15, a Embaixada de Cuba a um representante do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). Na quarta, 14, o governo de Cuba anunciou a saída do programa brasileiro por causa de declarações do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), que exigia mudanças nas regras do acordo. Com o fim da parceria, 8,3 mil cubanos terão de deixar o Brasil.

As datas das primeiras partidas dos profissionais foi informada ao presidente do Conasems, Mauro Junqueira, em reunião realizada nesta quinta entre ele, membros da Embaixada de Cuba e representantes da Organização Panamericana de Saúde (Opas), intermediária do acordo. De acordo com o diretor de Comunicação Social do Conasems, Diego Espindola de Ávila, o governo cubano disse ainda que a ideia é que todos os médicos deixem o Brasil até o fim do ano.

"Eles não informaram quantos viajarão no primeiro grupo nem de quais cidades serão. Até porque ainda estão tentando organizar a viagem porque serão necessários muitos voos", declarou ele, que também é secretário de saúde de Piratini, no Rio Grande do Sul, cidade de 20 mil habitantes onde quatro dos sete médicos dos postos de saúde são cubanos.

"Vai ser um caos para a gente. Metade da população da minha cidade mora na zona rural, que só é atendida pelo programa Saúde da Família (PSF) e hoje só tem cubanos. Os três médicos brasileiros que temos têm jornada de 20 horas semanais e não podem atender pelo PSF (que exige dedicação de 40 horas semanais). O impacto será muito grande", diz ele.

Secretário do município há 12 anos, ele conta que, antes da chegada dos cubanos, em 2013, apenas 17% dos moradores da cidade tinham cobertura do PSF. Com os médicos estrangeiros, esse índice subiu para 70%. "As comunidades na zona rural ficam a 80 quilômetros do centro da cidade, não tem linha de ônibus, o PSF é importante porque tem visitas domicilares, acompanhamento", comenta ele.

O Ministério da Saúde afirmou na quarta que lançará um edital emergencial nos próximos dias para tentar repor os médicos cubanos. Disse ainda que estuda outras medidas para a contratação de profissionais, como a negociação de benefícios para graduados em Medicina com o auxílio do programa Fies (financiamento estudantil).

Elogio dos EUA

Os Estados Unidos elogiaram nesta quinta-feira (15) a postura crítica do presidente eleito, Jair Bolsonaro, sobre o programa 'Mais Médicos', implementado com a Organização Pan-americana de Saúde (OPS) e Cuba, que motivou na véspera o cancelamento da participação dos profissionais de saúde cubanos.

"Que bom ver o presidente eleito Bolsonaro insistir em que os médicos cubanos no Brasil recebam seu justo salário ao invés de deixar que Cuba leve a maior parte para os cofres do regime", escreveu no Twitter Kimberly Breier, a principal funcionária do Departamento de Estado para a América Latina.

 

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