Médicos de Fortaleza voltam ao trabalho após greve de 48 horas

Setor de saúde vive caos e pacientes esperam há dias para serem atendidos; médicos querem R$ 3,4 mil de piso

Lauriberto Braga, do Estadão,

03 de outubro de 2007 | 17h48

Os médicos de Fortaleza voltam ao trabalho na quinta-feira, 4, após 48 horas de paralisação, mesmo não tendo entrado em acordo com a prefeita Luizianne Lins (PT), que mandou descontar os dois dias de greve. Os médicos reivindicam R$ 3,4 mil de piso salarial por 20 horas semanais e a prefeita oferece a metade (R$ 1,7 mil) com gatilhos anuais de 20% até atingir o pedido pela categoria. O segundo dia de greve foi de caos o setor de saúde de Fortaleza. O atendimento nas unidades de saúde da Prefeitura foi reduzido a 10% e seis hospitais distritais simplesmente não abriram nesta quinta-feira, fazendo com que milhares de pessoas voltassem para casa sem a atenção médica. No Instituto José Frota (IJF), o maior hospital de urgência de Fortaleza, o dia foi de angústia e revolta para pacientes e acompanhantes. Por causa da paralisação muita gente voltou sem atendimento. Quem passou na triagem, reclamou da espera. Com a greve, apenas os casos de risco de vida estão sendo atendidos. O operador de máquinas Francisco Rodrigues Queiroz, de 45 anos, que teve a mão acidentada durante o trabalho, está há dois dias em cima da maca no corredor do IJF, abandonado, segundo a família. Nova paralisação Uma nova paralisação está marcada para o dia 15 de outubro, uma segunda-feira. Desta vez se não houver acordo, a greve será por tempo indeterminado. Nesta quarta-feira, 3, os médicos protestaram nos postos de saúde chupando pirulitos. Para o presidente do Sindicato, os médicos não devem de intimidar com a ameaça do corte de ponto. O secretário de Saúde municipal, Odorico Monteiro, bateu boca com o presidente do Sindicato dos Médicos, Tarcísio Dias, durante entrevista em uma rádio local. Monteiro disse que se a Prefeitura atendesse os médicos ficaria inviabilizada financeiramente até 2012. O secretário confirmou o desconto dos dias parados o que irritou Dias, que prometeu voltar a greve no dia 15, após a trégua a ser dada a partir de quinta-feira.     

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