Médicos de Pernambuco farão greve contra 'importação' de profissionais

Categoria classifica a contratação de médicos estrangeiros para o SUS anunciada por Dilma de medida 'eleitoreira e danosa'

Angela Lacerda, O Estado de S. Paulo

24 de junho de 2013 | 14h52

RECIFE - Convocados pelo sindicato da categoria, os médicos de Pernambuco deverão paralisar suas atividades por 24 horas nesta terça- feira, 25, para protestar contra a proposta que classificam de "eleitoreira, equivocada, provisória e danosa" anunciada em rede nacional pela presidente Dilma Rousseff de contratar médicos estrangeiros, sem comprovação de sua qualificação e competência, para atender aos apelos da população por uma saúde de melhor qualidade.

Os profissionais que trabalham nas urgências e emergências manterão as atividades. "Não é nosso interesse prejudicar ainda mais a população, o nosso objetivo é alertar a sociedade para esta proposta eleitoreira que só vai perpetuar a precariedade da assistência médica no interior do País", afirmou o presidente do Sindicato dos Médicos de Pernambuco, Mário Jorge Lobo. Ele estima que a paralisação irá envolver cerca de 10 mil profissionais que deixarão de atender consultas agendadas e cirurgias programadas nas unidades de saúde municipais, estaduais e federais do Estado. À tarde, será realizada uma assembleia na sede do sindicato que poderá decidir pela realização de uma passeata em área central do Recife.

Lobo destaca que a proposta da presidente põe em risco a saúde da população brasileira, ao receber profissionais sem avaliar sua competência, além de não estimular a melhora das condições de saúde no interior, já que os municípios não vão precisar investir na estrutura porque estará recebendo o serviço médico de graça.

"Não foi para isso que nós, cidadãos, fomos às ruas", frisou o presidente do sindicato, ao defender que 10% do PIB sejam investidos na saúde e seja implementada uma política de recursos humanos no setor, que poderia adotar o mesmo sistema do Judiciário, com o início da carreira dos profissionais no interior.

Lobo frisa que a classe não é contra a entrada de médicos estrangeiros, desde que eles tenham a qualidade de sua formação avaliada pelo programa Revalida - dos ministérios da Saúde e da Educação. Ele lembra que o Brasil só tem 1% dos seus médicos estrangeiros - contra 30% dos Estados Unidos, por exemplo - porque não há atrativos para os profissionais que vêm de fora.

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