Médicos de Taubaté poderão continuar exercendo medicina, diz Cremesp

Segundo presidente do órgão, nenhum dos condenados vai sofrer punição profissional

João Carlos de Faria, Especial para o Estado, TAUBATÉ,

21 de outubro de 2011 | 18h35

O presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) Renato Azevedo Junior, disse nesta sexta-feira, 21, que os médicos Pedro Henrique Torrecillas, Rui Noronha Sacramento e Mariano Fiore Júnior, condenados ontem (quinta-feira), pela Justiça de Taubaté, no interior paulista, no caso Kalume, poderão continuar exercendo a medicina, sem nenhum prejuízo ou punição profissional.

 

"São critérios e instâncias diferentes: uma é penal e a outra ético-profissional. Em 1993, eles foram inocentados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e, portanto, estão aptos ao exercício da medicina", afirmou Azevedo.

Ele negou haver qualquer tipo de corporativismo e citou o fato de, somente em 2010, um total de 23 diplomas terem sido cassados por infrações graves. "Que outra categoria pune seus pares nessa proporção?", indagou.

 

Em 1988, quando foram denunciados ao Cremesp pelo médico Roosevelt Sá Kalume - daí o nome caso Kalume - os médicos acusados, foram julgados e considerados culpados pelos conselheiros, Eles foram punidos com uma censura pública, mas apelaram para o Conselho Federal , que os absolveu, revogando a decisão do conselho regional. "Já transitou em julgado, resultando na inocência dos acusados", disse Azevedo.

Apelação. O advogado João Romeu Corrêa Goffi, um dos responsáveis pela defesa dos réus, disse que na próxima segunda-feira deverá dar entrada no fórum criminal de Taubaté, da apelação para a anulação do júri.

Entre os motivos alegados estão o por não ter atendido ao pedido da defesa para a acareação entre a enfermeira Rita Pereira e o médico Fernando Ferreira. Segundo a enfermeira o médico teria presenciado a morte do paciente José Faria Carneiro, em 22 de dezembro de 1987, com um golpe de bisturi desferido pelo médico Pedro Henrique Torrecillas.

"As chances de anulação são de 90%. Foi a dúvida alicerçando a condenação, havendo um divórcio entre as provas dos autos e a sentença. Estamos inconformados com essa condenação", disse Goffi. Ele informou que seus clientes passaram por cuidados médicos logo após o julgamento, mas ainda estão chocados com a decisão da Justiça.

Familiares. A irmã de Alex Lima, uma das vítimas, Vânia Cristina de Lima, disse que a família ficou feliz no primeiro momento, em clima de festa, mas agora estão preocupados com os recursos que virão na tentativa de anular a decisão.

"Acredito que eles não consigam reverter, mas isso nos preocupa, mas estamos muito otimistas", afirmou. Segundo Vânia, a família ainda não pensa em pedir indenização pelo crime. "Vamos esperar, mas a maior recompensa foi a condenação deles", afirmou.  Os familiares das demais vítimas não foram localizados.

Nas ruas de Taubaté, as opiniões estavam divididas. "Que alívio, depois de tanto tempo, a Justiça foi feita", afirmou a enfermeira Lúcia Regina, que na época dos fatos tinha cinco anos. "Não acredito. Eles sempre foram bons profissionais", discordou a balconista Eliane Santos, de 35 anos.  

Polícia. O delegado seccional de Jacareí, Roberto Martins de Barros, na época titular do 1º distrito de Taubaté, responsável pelas investigações por mais de dez anos, disse ao Estado, que se sente recompensado. "Recebi críticas de todos os lados, diziam que os fatos não tinham procedência", afirmou.

Barros confirmou que os rins eram destinados a hospitais particulares, em São Paulo e Ribeirão Preto, conforme consta dos autos, e afirma ter tido o respaldo das perícias feitas pelo Conselho Regional de Medicina e pelo Instituto Médico Legal de São Paulo. "Conseguimos provas contundentes de que os pacientes estavam vivos", afirmou. 

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