Yuri KADOBNOV / AFP
Yuri KADOBNOV / AFP

Médicos denunciam 17 mil falhas em locais de atendimento à covid-19

Dados do Conselho Federal de Medicina apontam que principal queixa é sobre a falta de equipamento para proteção

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2020 | 20h04


BRASÍLIA - Médicos que atuam em serviços de atendimento a pacientes da covid-19 denunciaram ao Conselho Federal de Medicina (CFM) cerca de 17 mil inconformidades nestes locais de trabalho. A principal queixa (38,2% do total) trata de falta de Equipamento para Proteção Individual (EPI), como máscaras N95 e cirúrgicas, avental, óculos ou protetor facial, gorros e luvas.

A entidade abriu o canal de denúncia em 30 de março. O primeiro balanço, divulgado nesta quinta-feira, 14, tem 2.166 relatos de 1.563 médicos, de cerca de 550 municípios, espalhados por todos os Estados e DF, feitos até 6 de maio. "Demonstra este cenário, esse caos que estamos vivendo, já denunciado há anos pelo CFM. E que a pandemia apenas demonstrou de forma clara a todos, essa inadequada gestão do atendimento", disse Hideraldo Cabeça, primeiro-secretário do CFM, sobre as denúncias recebidas.

As denúncias sobre falta de "insumos, exames e medicamentos" foram 18,9% do total. Nesta categoria, a principal queixa foi sobre a falta de exames para a covid-19, seguida pela dificuldade de acesso a medicamentos.

Os médicos também relataram escassez de profissionais nos locais de atendimento (13,7% do total das queixas). A falta de equipe de enfermagem foi mencionada em 42,1% destas denúncias. A maioria dos denunciantes relatou problemas em hospitais (930), serviços de atenção primária (650), como postos de saúde, ou pronto-atendimento (393). 

Quase 85% das unidades em que atuavam os médicos prestam serviço ao Sistema Único de Saúde (SUS). Outros 10% eram privados, 3,4% eram filantrópicos e 1,7% não foi identificada a natureza do serviço. O CFM afirma que levará às denúncias para o setor de fiscalização dos conselhos regionais de medicina. Também ao Ministério Público, se preciso.

Para o CFM, há correlação entre locais com maior número de denúncia e o número de casos registrados. O Sudeste concentra o maior número de denúncias dos médicos durante o período analisado, 44% do total. Proporcionalmente, é a região onde também foi notificado o maior número de casos novos (42%) e óbitos (51%) no País durante este período.

"De norte a sul há relatos de não conformidade. Preocupa muito ao CFM. Sem EPI, o médico fica sob risco maior de contaminação. Sobrecarrega a estrutura que já não funcionava bem. A pandemia escancara esse cenário inadequado", disse Cabeça.

A maior parte das queixas (472) é do Estado de São Paulo, distribuídas em 90 municípios paulistas. Depois, o Rio de Janeiro tem 245 relatos, com origem em 27 cidades.

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