Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Médicos do Evandro Chagas foram treinados para tratar Ebola

Unidade da Fiocruz foi escolhida em agosto pelo Ministério da Saúde como referência para receber casos suspeitos da doença

Clarissa Thomé e Daniela Amorim, O Estado de S. Paulo

10 Outubro 2014 | 09h39

Atualizado às 12h00

RIO - O Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), foi escolhido pelo Ministério da Saúde em agosto como referência para receber casos suspeitos de infecção por vírus Ebola. Nas últimas semanas, os infectologistas passaram por treinamentos sobre como tratar as pessoas contaminadas pelo vírus e participaram de palestras com profissionais que estiveram nas áreas epidêmicas. 

Em 29 de agosto, houve simulação de atendimento a uma pessoa suspeita de estar contaminada pelo Ebola no Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, na zona norte do Rio.

No treinamento, o paciente foi isolado no aeroporto, transportado até a Fiocruz, e atendido no INI, hospital especializado em doenças infecciosas, como HIV, doença de Chagas e doenças febris agudas, como dengue e malária. 

Foi o que aconteceu na madrugada desta sexta-feira, 10. Seguindo o protocolo do Ministério da Saúde, o africano Souleymane Bah, de 47 anos, foi transportado em uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), por profissionais protegidos com macacões com mangas compridas, punho e tornozelos com elástico, resistente à penetração viral. Usavam ainda  máscaras de proteção respiratória; protetor facial; cobre-bota; luvas descartáveis e avental descartável, resistentes a fluidos.

O paciente está isolado em quarto privativo com banheiro. Pelo protocolo, ele não deve se movimentar pelo hospital. Se for necessário, tanto o paciente quanto o profissional devem utilizar os equipamentos de segurança.

Medidas de segurança. Funcionários da Fiocruz foram tranquilizados por e-mail na manhã desta quinta-feira sobre a chegada do primeiro paciente com suspeita de Ebola à instituição. No texto, os servidores foram informados de que "todas as medidas de segurança para proteger a equipe e a população foram tomadas".

A nota informou ainda que funciona normalmente o câmpus Manguinhos, onde fica o INI, local onde está internado o africano com suspeita de Ebola.O Museu da Vida, que também funciona no câmpus, manterá as portas abertas à visitação e a programação prevista, nesta sexta-feira e sábado, assegura a nota.

"A Fiocruz recebeu na manhã desta sexta, 10, o primeiro caso de suspeita de Ebola em território nacional. O Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI) é a unidade de referência no País, que está preparada para receber esse tipo de ocorrência", disse a nota.

"Sua equipe de profissionais recebeu treinamento específico para atuar de acordo com os protocolos de segurança e manter o paciente em isolamento. Todas as medidas de segurança para proteger a equipe e a população foram tomadas. Aos profissionais e estudantes, a Fiocruz esclarece que o funcionamento do câmpus Manguinhos será normal", informou o texto divulgado.

Tranquilos. Funcionários se disseram tranquilos sobre a suspeita de Ebola no câmpus. Segundo um servidor, a movimentação na área da fundação não foi alterada, exceto pela presença dos jornalistas que estão de plantão na entrada da Fiocruz. "Não notei nada de diferente", contou ele, acrescentando que não está preocupado com riscos de disseminação da doença. "Mas óbvio que, devido a ser uma doença como Ebola, estou acompanhando com atenção."

Entre os servidores, o clima é de tranquilidade. Um servidor contou que os trabalhadores já estão acostumados com a circulação de pacientes com doenças infecciosas, já que o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas é centro de referência. “O hospital recebe amostras para pesquisas e doentes de outros lugares, às vezes com infecções que nem foram identificadas ainda. Então a questão do isolamento faz parte da rotina”, lembrou o funcionário.

No caso suspeito de Ebola, outro tranquilizador para os empregados da fundação é que o transporte do paciente tenha sido feito com segurança, seguindo os protocolos. “Não foi um cara que chegou e ninguém sabia que ele estava infectado. Ele já chegou isolado. A transmissão não é como a da gripe, tem que ter um contato muito próximo”, acrescentou ele.

Uma pesquisadora da área de Virologia confirmou que o ambiente de trabalho ainda não foi afetado pela chegada do caso suspeito de Ebola ao câmpus. "Deve ser mentira, eles devem estar fazendo um treinamento", brincou ela.

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