Médicos fazem protesto contra crise financeira da Santa Casa

Profissionais pedem afastamento do atual provedor do hospital, reformulação do estatuto, transparência administrativa, eleições para diretor clínico e quitação de dívidas trabalhistas

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

01 Abril 2015 | 20h04

Médicos e funcionários participaram de um ato, na manhã desta quarta-feira, 1, contra a crise que atinge a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, na região central da capital. Segundo o Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), cerca de 300 pessoas participaram da manifestação.

Em grave crise financeira, a entidade tem déficit superior a R$ 400 milhões. A Santa Casa não se manifestou sobre o protesto. Os profissionais pediram o afastamento do atual provedor do hospital, Kalil Rocha Abdala, que está temporariamente de licença. Eles exigem ainda a reformulação do estatuto da unidade, transparência administrativa, eleições para diretor clínico e quitação de dívidas trabalhistas, como o pagamento do 13.º salário, atrasado desde dezembro do ano passado.


Com gritos de “Fora, Kalil” e “Santa Casa Viva”, os manifestantes caminharam dentro e no entorno da instituição. O ato começou às 9 horas, na frente da Provedoria, quando médicos amarraram fitas pretas, em sinal de luto, em seus jalecos.

“Estamos exigindo respeito. Queremos a antecipação da eleição para provedor e mudanças no sistema de governança, que é ultrapassado e sem transparência. Cansamos do desrespeito”, diz Igor Bastos, presidente da Associação Médica da Santa Casa. Um abaixo-assinado e um documento com as reivindicações foram entregues ao provedor em exercício, Ruy Altenfelder.

Indignação. “A Santa Casa faz parte da história de São Paulo e queremos a saída desta gestão. A gente precisa trabalhar em paz. Esta é a nossa indignação”, disse um médico que não se identificou. Presidente do Simesp, Eder Gatti diz que o hospital precisa de reformas administrativas. “A Santa Casa é estratégica para o Município e para o Estado. Ela precisa de mudanças. Vamos acompanhar as ações do Ministério Público e a venda do imóvel da Santa Casa (no valor de R$ 60 milhões, na Avenida Paulista) para o pagamento do 13.º atrasado.”

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