Médicos na Espanha reconstroem parte do rosto de paciente com cerâmica

Equatoriano que foi submetido ao implante afirma que já está parecido como era antes de tumor

Efe,

01 Abril 2011 | 16h22

Fotografia cedida pelo Hospital Universitário La Paz mostra resultado da operação

 

MADRID - Um hospital espanhol reconstruiu com sucesso, a partir de uma prótese de cerâmica, grande parte da estrutura óssea facial de um homem equatoriano de 26 anos, que na adolescência teve um tumor extirpado, que causou grandes cavidades no rosto.

 

A intervenção, primeira deste tipo realizada na Espanha, foi feita no dia 17 de março no Hospital Universitário La Paz, em Madri, que até agora só tinha incorporado próteses de cerâmica em reconstruções cranianas. Nesta ocasião, foi reconstruída a estrutura óssea do maxilar com uma prótese que cobre a mandíbula, a maçã do rosto, o arco zigomático até a orelha e a parede lateral no nariz.

 

O paciente, que já pode movimentar normalmente a boca e os olhos, e que poderá ter uma vida normal, garantiu à Agência Efe que se encontra bem, apenas com uma pequena inflamação no olho e algumas cicatrizes, principalmente na área da boca, que serão "retocadas" com uma pequena cirurgia mais adiante. O homem, que já fez uma revisão para que os médicos que lhe operaram avaliem sua evolução, acrescentou que seu aspecto de agora é muito parecido ao que tinha anteriormente.

 

Antes da operação, foi feito um scanner em três dimensões para reproduzir a área danificada do rosto, no lado esquerdo, tomando como modelo seu lado normal; posteriormente os dados foram enviados à Suíça para o processamento e desenho da prótese.

 

Esta técnica é ideal para áreas do corpo que não suportam peso, como o rosto, e praticamente só possui vantagens, disseram à Agência Efe dois dos responsáveis médicos de La Paz, os doutores José Luis Cebrián, médico especialista de área bucomaxilofacial, e Miguel Burgueño, chefe de Serviço de Cirurgia Oral e Bucomaxilofacial.

 

Uma das grandes vantagens deste tipo de prótese é que são biocompatíveis, por isso, em geral, são muito bem toleradas pelo paciente e raramente causam infecções. Além disso, o uso de cerâmica, cujo maior inconveniente é seu preço elevado, agiliza muito a intervenção, que durou apenas três horas, já que são desenhadas para encaixar perfeitamente na cavidade anatômica.

 

Segundo Cebrián, o aspecto mais complexo da técnica é o desenho da prótese, que deve se ajustar às cavidades ósseas irregulares, em formato tridimensional, para se encaixar perfeitamente na estrutura anatômica do paciente. Neste caso, suas dimensões são de aproximadamente dez centímetros de largura por cinco de altura, com quatro centímetros de profundidade no ponto mais alto.

 

Anteriormente, outro hospital madrilenho, o Doce de Octubre, havia feito uma reconstrução com cerâmica, mas unicamente da maçã do rosto de uma pessoa. Tradicionalmente, o material ósseo usado neste tipo de operação procede de outras áreas do corpo do paciente, como o quadril, preferencialmente, ou o crânio.

 

No entanto, a extração desse tipo de osso força uma intervenção cirúrgica e complica a adaptação exata à cavidade óssea que será reconstruída, já que obriga os médicos a trabalharem com muitos ossos pequenos unidos. Outros materiais utilizados nas intervenções faciais para preencher estruturas ósseas podem proceder de animais ou de cadáveres, com o risco de gerar rejeição no paciente.

 

Um dos problemas do uso da cerâmica nas reconstruções faciais é que a prótese infeccione, mas as probabilidades são baixas, e a área mais delicada é o nariz, pela presença de microorganismos. Durante a operação, os médicos colocaram na região nasal do paciente parte de um tecido muito vascularizado extraído com uma ligeira incisão no cérebro; com o tempo, este tecido terminará sendo substituído por uma mucosa que evitará infecções.

 

O tempo de recuperação do paciente será de, aproximadamente, um mês e meio, e inicialmente, não será necessário intervenções posteriores de manutenção da prótese.

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