Breno Pires/Estadão
Breno Pires/Estadão

Médicos protestam contra planos de saúde na Avenida Paulista

Insatisfeitos com a relação com operadoras, cerca de 100 profissionais se reuniram na manhã desta quinta-feira (25) em São Paulo

Breno Pires, O Estado de S. Paulo

25 de abril de 2013 | 11h18

Atualizada às 20h11

Cerca de 100 médicos, dentistas, fisioterapeutas e outros profissionais de saúde se reuniram em protesto nesta quinta-feira (25) na Avenida Paulista, em São Paulo. A manifestação teve início às 10h, próximo à estação Brigadeiro, Linha 2-Verde. Vestidos de jalecos e com faixas e cartazes de protesto, a marcha teve duração de 30 min.

O encerramento da caminhada ocorreu durante chegada ao edifício da Faculdade Cásper Líbero. A marcha não atrapalhou o trânsito, todo o percurso foi feito na calçada. Ao final do ato, foram soltas cerca de 10 mil bexigas pretas.

"O objetivo desse protesto é fazer um alerta às operadoras sobre as condições de trabalho que são impostas aos médicos e entafizar que as remunerações repassadas pelos convênios não são compatíveis com a atividade", diz Florisval Meinão, presidente da APM, Associação Paulista de Medicina (APM).

O protesto serviu também para dar mais visibilidade ao boicote no atendimento dos profissionais marcado para esta quinta, de acordo com a APM. A previsão é que em pelo menos nove Estados, incluindo São Paulo, haja algum tipo de recusa no atendimento. A paralisação é reflexo de uma pesquisa que mostra que 89% deles sofrem interferência dos planos, o que prejudica o atendimento.

A médica reumatologista Ivone Minhoto fez diversas críticas aos planos de saúde. "Já tive ao menos 12 convênios mas fui fechando um a um porque pagam muito mal e interferem demais na atividade médica. Já descontaram do meu honorário exames que passei para pacientes com câncer", disse. "Hoje não tenho mais."

 

Entre os representantes da entidade médica, o  presidente da Federação Nacional dos Médicos, Geraldo Ferreira Filho, afirmou que há uma total precarização da profissão. "A situação dos médicos é pior que a das empregadas, porque não há carteira assinada nem remuneração fixa", afirmou.

 

  

Ideia. Em entrevista após a passeata, o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto d'Ávilla, defendeu que os usuários de planos de saúde passem a pagar diretamente as consultas aos médicos e busquem reembolso em seguida com as operadoras dos planos de saúde. Ele anunciou que, na plenária da CFM em maio, irá propor abertura de uma comissão convidando a Agência Nacional de Saúde, o Ministério Público Federal, AMB, Federação Nacional dos Médicos (Fenam) e representantes de operadoras, para que juntos formalizem uma proposta de resolução nesse sentido.

 

"A única maneira que nós vemos de preservar relação médico-paciente, se as operadoras não remunerarem melhor as consultas, é retirá-las das operadoras. É os médicos nos seus consultórios dizerem que não atendem mais operadora nenhuma, e as pessoas irão buscar o ressarcimento junto ao plano contratado", afirmou Roberto d'Ávilla.

 

O diretor executivo da FenaSaúde, José Cechin, por outro lado, afirmou que a ideia é problemática. "Teria que reformular todos os contratos existentes, estão pressupondo que as pessoas têm disponibilidade de dinheiro no bolso para pagar. Acho que é um sistema bastante complexo com enormes dificuldades práticas de implementação. Não é uma boa proposta."

 

Lista de atendimento das operadoras nos Estados*

- Haverá suspensão do atendimento:

Bahia

Distrito Federal

Goiás

Minas Gerais

Piauí

Rio Grande do Sul

Rondônia

São Paulo

Sergipe

- Realizarão atos públicos ou outras atividades:

Alagoas

Amapá

Amazonas

Ceará

Espírito Santo

Maranhão

Pará

Paraíba

Paraná

Pernambuco

Rio de Janeiro

Roraima

Santa Catarina

Tocantins

Veja o trajeto pecorrido na manifestação:

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