AFP PHOTO / GEMINI UNTWINED
AFP PHOTO / GEMINI UNTWINED

Médicos separam gêmeos siameses unidos pelo crânio com ajuda de realidade virtual no Rio

Cirurgia, que durou 23 horas, foi uma colaboração entre profissionais brasileiros e britânicos

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2022 | 12h53

Gêmeos siameses unidos pela cabeça foram separados em uma cirurgia que os médicos responsáveis descreveram como a mais complexa do tipo, e para a qual se prepararam usando realidade virtual. Arthur e Bernardo Lima nasceram em 2018, em Roraima, e são considerados gêmeos craniópagos, condição extremamente rara na qual os irmãos nascem unidos pelo crânio.

Unidos pela parte superior da cabeça por quase quatro anos, a maior parte deles passados em um hospital do Rio de Janeiro em uma cama feita sob medida, os irmãos puderam ver um ao outro pela primeira vez depois de uma série de nove operações que culminaram em uma cirurgia digna de maratona, que durou 23 horas.

A organização médica beneficente Gemini Untwined, com sede em Londres, que ajudou a viabilizar o procedimento, o descreveu como “a separação mais desafiadora e complexa já realizada”, já que as crianças compartilhavam várias veias vitais.

“O quadro dos gêmeos se classificava como o mais grave e com maior risco de morte para ambos”, disse o neurocirurgião Gabriel Mufarrej, do Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer (IECPN), no Rio de Janeiro, onde foi realizada a cirurgia.

Para Mufarrej, trata-se do procedimento mais difícil de sua carreira, segundo disse à AFP. “Estamos muito satisfeitos com o resultado, porque ninguém acreditava nessa cirurgia no começo, mas sempre acreditamos que havia chances”, acrescentou Mufarrej em um comunicado.

Nos dias 7 e 9 de junho, os membros da equipe médica, que incluía quase 100 profissionais, se prepararam para as delicadas etapas finais da cirurgia com ajuda de realidade virtual, disse a organização Gemini Untwined.

Usando scanners cerebrais para criar um mapa digital do crânio compartilhado pelos irmãos, os cirurgiões praticaram no Rio e em Londres com uma cirurgia de teste realizada com realidade virtual. 

“É simplesmente maravilhoso, é genial ver a anatomia e fazer o procedimento antes de colocar as crianças em risco. Dá para imaginar como foi tranquilizador para os médicos… Fazer isso com realidade virtual foi realmente como levar o homem à Marte”, afirmou o neurocirurgião britânico Noor ul Owase Jeelani, principal cirurgião da Gemini Untwined, à agência de notícias britânica PA.

Fotos e vídeos publicados pela equipe médica mostram os meninos um ao lado do outro em uma cama de hospital depois da cirurgia, com o pequeno Arthur estendendo a mão para tocar a do irmão. Às lágrimas, a mãe dos gêmeos, Adriely Lima, contou que a família está aliviada: “Estamos vivendo em um hospital durante quase quatro anos”, disse.

Os irmãos estão se recuperando do procedimento e é possível que mais operações sejam necessárias à medida que eles crescem, informaram os médicos. /AFP

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