Médicos usam tecnologia aeroespacial em coração artificial

Novo coração poderá salvar milhões de vidas se funcionar em humanos; até agora só foi testado em animais

AP

29 de outubro de 2008 | 17h50

Na corrida para criar o primeiro coração artificial do mundo, cientistas franceses se voltaram para tecnologias de satélites e aviões.  O novo coração poderá salvar milhões de vidas se funcionar em humanos. Até o momento, foi apenas testado em animais. O dispositivo foi apresentado em Paris na segunda-feira, 27. "É o mesmo princípio no avião que no corpo humano", disse Patrick Coulombier, chefe do Carmat, fabricante do coração, uma subsidiária da Agência de Defesa Espacial e Aeronáutica da Europa, fabricante do Airbus.  Coulombier disse que os mesmos pequenos sensores que medem a pressão do ar e a altitude em um avião ou satélite estão presentes no coração artificial, detectando coisas como a velocidade em que o coração bombeia o sangue e a pressão em suas paredes.  Isso deve permitir que o dispositivo responda imediatamente às necessidades do paciente, por mais ou menos sangue. Espera-se que o coração custe cerca de US$ 192 mil. Outros corações artificiais não conseguiram variar a intensidade com que bombeavam o sangue automaticamente. O coração francês também é mais semelhante ao real: ele tem duas válvulas para mandar o sangue para o pulmão e para o resto do corpo. Os corações anteriores tinham apenas uma bomba.  Em 2000, o "coração" Jarvik, uma bomba que ajudava o coração dos pacientes a circular o sangue, foi o primeiro a ser implantado em pacientes nos Estados Unidos.  Outros corações artificiais já foram feitos ou estão sendo desenvolvidos. A empresa Abiomed recebeu permissão da FDA para usar o seu dispositivo em pacientes que não tinham mais nenhuma opção.  Cientistas no Japão e na Coréia do Sul também estão trabalhando em corações artificiais.  O modelo francês é feito de materiais naturais, incluindo polímeros e tecidos de porco. Ele seria inicialmente implantado em pacientes que tenham sofrido de grandes enfartes ou que tenham tido falência cardíaca, mas poderá, um dia, ser usado em pacientes que não estejam tão doentes.

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