Arquivo pessoal
A instrumentadora cirúrgica Suzan Caroline de Alexandria Nisticó. Arquivo pessoal

Medo, sensação de incapacidade e discriminação: o que está por trás do trabalho dos agentes de saúde

Psicólogos dão assistência emocional àqueles que precisam lidar com pressão do ambiente hospitalar durante pandemia do coronavírus

Camila Tuchlinski, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2020 | 12h26

Sair de casa todos os dias e não ter a certeza de que retornará sem ser contaminado. Essa é a realidade de milhares de médicos, enfermeiros e agentes de saúde que estão nos postos e hospitais durante a pandemia do novo coronavírus. Segundo balanço mais recente do Ministério da Saúde, o Brasil tem 12 mil casos confirmados por meio de exames e 553 mortes.

A instrumentadora cirúrgica Suzan Caroline de Alexandria Nisticó usa máscara, touca, luva e roupa privativa hospitalar, e toma todos os cuidados necessários para se prevenir. “Troco as luvas sempre que toco o paciente ou algo contaminado (sangue) e, caso esteja sem, passo muito álcool gel sempre que encosto em algo”, conta. 

Suzan revela que tem sentimentos ambíguos: momentos de angústia, por receio de ser infectada, e bem-estar, por minimizar o sofrimento dos pacientes. “Fico bastante apreensiva. Penso que estou tomando as medidas possíveis para me proteger, que estou tentando aliviar a dor do paciente e que esta é a profissão que escolhi, e isso me acalma. Mas dá medo sim”, desabafa a instrumentadora cirúrgica, que já tem vários conhecidos que foram afastados da área da saúde por suspeita de coronavírus.

A tensão e o medo de adoecer e ser infectado são constantes na vida de quem trabalha atualmente em um hospital. A psicóloga Lucia Alves Penna Rosa enumera as principais queixas relatadas: “Além do medo de ser contaminado pelo coronavírus, há discriminação em vários locais. Apesar de estarem sendo exaltados e aplaudidos, existem grupos que começam a discriminar, que não querem ficar próximos desses profissionais, e isso também traz um esgotamento emocional”. 

A neuropsicóloga Gisele Calia destaca a chamada "síndrome do jaleco branco". “É uma reação de aumento de pressão arterial verificada apenas quando a pessoa fica em frente a um profissional de saúde identificado pelo uniforme branco. Importante lembrar que o aumento da pressão arterial está relacionado à emoção do medo, ao preparo do corpo para fugir ou atacar”, analisa.

Ao mesmo tempo, o fato de médicos e enfermeiros não terem, muitas vezes, as condições ideais de trabalho pode elevar o nível de estresse. A chamada Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade. 

Na atual pandemia, todos esses sinais ultrapassam os muros dos hospitais e acompanham esses profissionais ao longo do dia. “O fato de voltarem para suas casas, onde estão seus filhos, pais e outros parentes, e correrem o risco de levar a contaminação para a família também desencadeia um nível de estresse importante. Eles precisam ser acolhidos por todos: pela população e pelos profissionais que podem ajudar, como psicólogos”, pondera Lucia.

Vivendo uma rotina tão estressante e diante de tamanha pressão, é natural que o profissional de saúde comece a apresentar sinais como insônia, ansiedade, irritabilidade e oscilações de humor. “Alguns podem ter uma certa negatividade, de que nada está adiantando, que nada está sendo suficiente. O cansaço excessivo que também é um sintoma. Os médicos estão trabalhando muitas horas. Tenho acompanhado profissionais que iniciam o plantão cedo e terminam muito tarde. Junta o cansaço excessivo, que é físico e mental, porque é preciso ficar o tempo todo ligado, com uma doença nova, sobre a qual eles também estão aprendendo”, afirma Lucia. O nível alto de estresse e tontura também são símbolos de um esgotamento mental importante.

O trabalho psicológico com profissionais da saúde

Para ajudá-los a encontrar um equilíbrio no atual cenário, é necessário um trabalho imediato em psicoterapia. “A gente está só começando. Não estamos no pico do coronavírus, do que vai acontecer, do transbordamento da saúde pública, e eles precisam se preparar para isso também. E a população e os familiares também têm de ajudar”, afirma a psicóloga Lucia Alves Penna Rosa, que integra um grupo de profissionais que atenderão, de forma gratuita, pelo menos 60 profissionais da Bahia, do Rio de Janeiro e de São Paulo nas próximas semanas.  

Segundo ela, médicos, enfermeiros e demais pessoas que estão no meio hospitalar precisam criar uma rede de segurança: pessoas para se conectar, conversar, buscar apoio emocional e falar o que estão sentindo. Seja sobre como lidar com o excesso de trabalho, com a sensação de impotência, com a falta de instrumentos necessários para salvar vidas, sobre muitas vezes ter de escolher entre um paciente e outro. “Ainda não está acontecendo no Brasil, mas provavelmente vai acontecer (ter de escolher quem salvar). O suporte é necessário para resgatar a própria dignidade dessas pessoas porque, diante de situações de muito conflito, você acaba se desconectando da sua própria dignidade”, ressalta Rosa.

Admitir que a Síndrome de Burnout irá acometer a maioria dos profissionais de saúde é razoável. Porém, é possível prever sintomas de doenças mentais para quando a pandemia acabar, como o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). “Médicos e enfermeiros estão vivendo uma crise. Nós todos estamos. Eles não têm um estresse pós-traumático agora porque ainda vivem a crise, não têm sintomas. Mas precisam de um apoio para aprenderem a manejar. Trabalhar a crise é importante para evitar os sintomas do TEPT”, adianta Rosa.

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O que é a 'síndrome do jaleco branco'?

Você já ouvir falar que tem gente que só de ouvir o barulho do motorzinho do dentista sente medo? O mesmo ocorre com algumas pessoas que tiveram experiências ruins em ambiente hospitalar. Para além da discriminação, especialistas trabalham com os sintomas da chamada "síndrome do jaleco branco". E não é frescura. Os principais sintomas são: tremores, suor  e aumento da frequência cardíaca. 

“As pessoas que apresentam esses sintomas involuntários podem tentar diminuir o impacto que o uniforme branco no profissional que a atende lhe causa buscando pensamentos racionais de auto convencimento de que aquela pessoa está ali para a ajudar e que possíveis 'traumas' em relação à dor ou medo de sentir dor relacionados ao jaleco branco são coisas de sua mente infantil e inconsciente”, aconselha a neuropsicóloga Gisele Calia.

Não que seja fácil, mas a tentativa é construir um caminho de pensamentos racionais sobre uma memória inconsciente e infantil anterior. Uma dica prática da especialista, e que vários profissionais utilizam, principalmente pediatras e cardiologistas, é não usar roupa branca.

Dicas para os profissionais de saúde

Para quem trabalha em ambiente hospitalar ou como agente de combate ao novo coronavírus, a psicóloga Lucia Alves Penna Rosa preparou algumas dicas:

- Ler, ver filmes sobre outros assuntos;

- Fazer meditação: Existem muitos sites disponíveis que ajudam e ensinam a relaxar;

- Fazer alguma atividade física.

- Ficar exposto ao sol dentro de casa, se for possível;

- Falar com grupos de amigos online, até mesmo para tomar um vinho “juntos”.  

- Dormir bem é fundamental para regular o organismo;

- Fazer alguma atividade junto com família. Estar integrado num ambiente acolhedor nesse momento é muito importante.

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Pacientes curados do coronavírus relatam tensão e dor: 'Achei que fosse morrer'

Maior parte das pessoas diagnosticadas com a covid-19 apresenta sintomas leves, mas há casos com necessidade de internação na UTI

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2020 | 05h00

De uma forma ou de outra, todo mundo vai ter contato com o esse inimigo invisível, o novo coronavírus. Ele se espalhou pelos quatro cantos do planeta e provocou uma pandemia. Para muita gente, ele poderá passar rápido, provocando sintomas leves, situação que pode ser resolvida com tratamento caseiro. Mas, para cerca de 20% da população, a doença é motivo de internação hospitalar e até de uso de respiradores, hoje o equipamento mais escasso e que pode ser o fiel da balança da sobrevivência.

O Estado conversou com pessoas que foram diagnosticadas com o novo vírus e estão curadas ou em fase final do tratamento para a covid-19. Entre os entrevistados estão aqueles que ficaram na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), como o jurista Ives Gandra Martins, de 85 anos, que, pela idade, pertence ao grupo de risco da covid-19. 

Também fazem parte do grupo de risco para o novo coronavírus pessoas com comorbidades, como complicações cardíacas, doenças pulmonares e renais. O vírus, no entanto, atinge a todos: pegou em cheio o prefeito de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, Orlando Morando (PSDB), de 45 anos, com a saúde em dia. “Senti uma falta de ar asfixiante”, disse Morando ao Estado

No grupo dos que fizeram tratamento em casa e não precisaram de internação estão a jornalista Monique Arruda, de 34 anos, e a técnica de enfermagem, Natália Leite, de 35 anos. Também se recuperou em casa o médico infectologista David Uip, que lidera o comitê de combate à doença em São Paulo. Uip participou na segunda-feira de uma entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes sobre o avanço da covid-19 no Estado, após ficar vários dias afastado, em isolamento domiciliar, durante o tratamento para a doença.

Seja em casa ou no leito de uma UTI, o medo de morrer foi o traço comum dos depoimentos desses brasileiros que agora – ao que tudo indica – já estão imunizados contra o novo coronavírus. Para eles, a lição que ficou é de que a vida é muito frágil e a saída para superar esse momento é ouvir a ciência e ser solidário. Veja abaixo os depoimentos:

"Senti uma falta de ar asfixiante"

Depois de uma semana na UTI, Orlando Morando, prefeito de São Bernardo do Campo (PSDB), no ABC paulista, disse que achou que morreria por causa da covid-19. O pior momento foi na semana passada. “Senti uma falta de ar asfixiante, foi a pior sensação que tive na vida.”

A situação só começou a reverter quando os médicos começaram a dar cloroquina. “O oxigênio não surtia efeito”, lembra o político de 45 anos, que tem boa saúde e não faz parte de grupo de risco.

A lição que fica, segundo ele, é que é preciso valorizar a vida. “Esse é o maior bem que a gente tem. Quando se está à beira do precipício não adianta mais.”

Outra lição tirada dessa experiência é a necessidade de as pessoas serem mais humanas. Morando disse que tem acompanhado as discussões recentes e que, na sua opinião, elas são totalmente “ilógicas”. “O que adianta discutir a economia para quem não tem mais saúde?”

“A ciência está mostrando que o isolamento é a chance que temos para proteger as pessoas”, frisou. Depois do que ele passou, Morando disse que gostaria de ver se alguém consegue ficar alguns segundos sem respirar tentando contar dinheiro.

"Dói os pulmões, achei que eu fosse morrer"

No dia 25 de março, a técnica de enfermagem Natália Leite, de 35 anos, começou a ter sintomas de uma gripe normal: tosse, espirros e nariz escorrendo. Foi a uma UPA e o médico a diagnosticou com gripe, H1N1. Natália, que trabalha em um hospital público, foi afastada do serviço e começou o tratamento em casa.

Com o passar dos dias, o quadro piorou: veio a febre alta, que chegava a 40 graus, perda de paladar, olfato e dor nos pulmões, como se tivessem sendo esmagados. Ela voltou ao médico, fez o teste e confirmou que estava com a covid-19. “O sintoma é de uma gripona: quando tosse, dói os pulmões, achei que fosse morrer”, contou.

No começo, ela não acreditou que estivesse com a doença, pois tomava todos os cuidados de higiene e no hospital onde trabalha cuida de uma ala isolada, onde estão pacientes sem relação com a pandemia.

Depois do diagnóstico, o médico recomendou que continuasse o tratamento em casa e só fosse ao hospital se tivesse falta de ar. Natália mandou o filho menor, de 4 anos, para a casa do pai, e ficou na companhia do filho maior, de 14. “No dia 9 vou refazer o teste para ver se o vírus foi embora.”

"Minha guerra não começou com o coronavírus"

No dia 27 de fevereiro, o jurista Ives Gandra Martins foi submetido a uma cirurgia simples de esôfago. Na recuperação teve uma isquemia, depois uma septicemia. Ficou quatro dias em coma na UTI e, quando estava se recuperando pegou o novo coronavírus. “A minha guerra não começou com o coronavírus”, disse o jurista, que agora já está em casa, mas ainda em recuperação. “Sinto fraqueza e falta de apetite. Mas, fora isso, estou bem. Estou escrevendo: coronavírus não atingiu o cérebro”, brincou.

Após 38 dias de hospital, ele mantém o raciocínio perspicaz. “Os médicos foram muito bons, mas acredito mais no médico lá de cima”, disse o jurista, que é católico, acredita em Deus e no poder das orações.

Aos 85 anos e, portanto, pertencendo ao grupo de risco, Gandra relatou que nunca tinha vivido um drama pessoal tão grande. Apesar da fase difícil, ele se considera otimista. Acredita que, do ponto de vista coletivo, a pandemia do novo coronavírus vai ser um momento de reflexão da humanidade. “Essa é uma guerra mundial contra um inimigo invisível e, com solidariedade, será uma grande oportunidade para mudarmos a face da terra.”

"Fiquei sem olfato por 12 dias"

Há 17 dias trancada em casa, Monique Arruda, de 34 anos, jornalista, não precisou ir para o hospital para se curar da covid-19. No primeiro dia, ela contou que teve muita dor de cabeça, cansaço e febre alta. “Fiquei sem olfato durante 12 dias, era como se não tivesse nariz”, lembrou. Ela recebeu orientação do médico via aplicativos, o laboratório fez o teste em casa e o resultado foi positivo. Já o seu filho de 3 anos teve muita falta de ar, mas o teste deu negativo. Até mesmo no período de isolamento, o médico a autorizou a amamentar para atenuar os sintomas da criança. Ela usou máscara e tomou cuidado com a higienização das mãos. 

Outra preocupação de Monique é com a mãe idosa, de 70 anos, que mora na mesma casa. Mas, segundo ela, a mãe não pegou a doença, apesar de ser fumante e fazer parte do grupo de risco. “Apesar de os meus sintomas terem sido leves, foi um pesadelo”, resumiu a jornalista. Ser portadora do vírus soou como uma sentença de morte para ela. No seu caso, um dos pontos que ajudaram, na sua opinião, a não virar um caso grave foi seu estilo de vida saudável. “Alimentação é a base de tudo.”

"Se as pessoas tivessem noção, não sairiam de casa de jeito nenhum"

Depois de 19 dias internado, dos quais 11 na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Samaritano, em São Paulo, o relações públicas Ireno Marcio Silva, de 41 anos, está vendo a sua vida voltar ao normal. Ele saiu do hospital na última sexta-feira (03/04), 12 quilos mais magro e com uma história de desespero e aflição para contar.

“Se as pessoas tivessem a noção do que é essa doença, não sairiam de casa de jeito nenhum”, alertou Silva. Ele começou a sentir os primeiro sintomas no dia 5 de março: perda de olfato e de paladar. “Achei estranho”, relatou. Depois veio uma leve dor nas costas, que ele achava que era por conta do ritmo intenso de trabalho. No terceiro dia, veio uma febre moderada, intercalada de ondas de frio, lembrando uma gripe, mas no fundo muito diferente.

Uma semana depois, ele procurou o médico no Hospital Nove de Julho, que o diagnosticou com uma pneumonia viral e prescreveu uma medicação para gripe H1N1. Após três dias tomando o remédio em casa e com os sintomas persistindo, decidiu ir ao outro hospital e foi internado imediatamente. Fez o teste para coronavírus, que deu positivo. Com muita falta de ar, três dias depois de internado foi parar na  UTI.

Aí começou o sofrimento maior: ser entubado, amarrado, todas aquelas coisas de UTI, que são horríveis, relatou o relações públicas. “Cheguei a pedir para os enfermeiros e médicos que não fizessem mais nada, que me deixassem morrer.”

Silva não fazia parte do grupo de risco, não tinha doenças pré-existentes, fazia ginástica regularmente. Ele lembra que a doença pode vir de forma leve, mediana. “Mas também pode vir como veio para mim. Só não fui porque Deus teve misericórdia e a hospital era de primeira.”

“Não fui entubado, passei pela tangente”

Ainda prisioneiro dentro de um quarto em sua própria casa, o engenheiro aeronáutico Eric Consoli, de 41 anos,  casado e pai de duas filhas, se recupera do novo coronavírus. Ela saiu do hospital em Ribeirão Preto (SP), cidade onde mora, na quinta-feira, dia 2 de abril, depois de ter ficado oito dias internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). ”Comparando com a UTI e o quarto hospital, pelo menos aqui em casa eu tenho as minhas duas filhas, ouço elas brincarem e brigarem também.”

Por recomendação médica, o engenheiro terá de cumprir um período de isolamento de 21 dias, mesmo tendo tido alta do hospital. Quando começou a ter os primeiros sintomas da doença, febre e moleza no corpo, no dia 17 de março, ele se isolou por conta própria e buscou ajuda médica remota pelo plano de saúde. O médico disse que iria tratá-lo como se fosse uma gripe, já que ele não tinha falta de ar nem tosse seca.  Mas alertou que ele deveria ir para o hospital se tivesse esses sintomas.

Quando a tosse apareceu, Consoli foi para o hospital. Chegando lá, fez exames e foi direto para a UTI. “Na hora que cheguei na UTI, com a respiração difícil, o pessoal tirou o meu sangue e eu vi que ele estava muito mais escuro do que o normal, achei que fosse morrer”, disse. Para completar, o médico avisou que ele seria entubado, se não melhorasse em 24 horas.

“Não fui entubado, passei pela tangente”, disse o engenheiro, que recebeu oxigênio por meio de um cateter diretamente no nariz. Num primeiro momento, Consoli  achou que era uma “gripezinha”. “Mas quando o negócio pega mesmo, pelo amor de Deus.”

O alerta que ele faz é que quem acha que está com os sintomas, não deve apostar. “Longe de mim de ter apostado e olha o que aconteceu?”, disse Consoli. "Se tivesse sido teimoso e resistido em ir para o hospital, talvez não tivesse sobrevivido", concluiu.

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Entenda como funciona o processo de desenvolvimento de uma vacina

CONTEÚDO ABERTO PARA NÃO-ASSINANTES: Produção de imunizante obedece a um rígido protocolo e passa por diversas fases até chegar ao público

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2020 | 11h30

O desenvolvimento de uma vacina segue altos padrões de exigência de qualidade e protocolos de procedimentos éticos em todas as suas fases. O processo inclui a pesquisa inicial e os testes em animais e em seres humanos, até a avaliação final dos resultados pelas agências reguladoras.

As fases de desenvolvimento de uma vacina são:

  1. Fase exploratória ou laboratorial: Fase inicial ainda restrita aos laboratórios. Momento em que são avaliadas dezenas e até centenas de moléculas para se definir a melhor composição da vacina.
  2. Fase pré-clínica ou não clínica: Após a definição dos melhores componentes para a vacina, são realizados testes em animais para comprovação dos dados obtidos em experimentações in vitro.
  3. Fase clínica: É a testagem do produto em seres humanos. Esta fase do processo se divide em três:
  4. Fase 1 – a primeira etapa tem por objetivo principal testar a segurança do produto. São testados poucos voluntários, de 20 a 80, geralmente adultos saudáveis.
  5. Fase 2 – a segunda etapa da testagem em seres humanos analisa mais detalhadamente a segurança do novo produto e também sua eficácia. Em geral, é usado um grupo um pouco maior, que pode chegar a centenas de pessoas.
  6. Fase 3 – na última etapa o objetivo é testar a segurança e eficácia do produto especificamente no público-alvo a que se destina. Nesta etapa, o número de participantes pode chegar a milhares. Mesmo depois da aprovação, nova vacina continua sendo monitorada, em busca de eventuais reações adversas.

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