Membros da irmandade vão pedir a renúncia do provedor

Membros da irmandade vão pedir a renúncia do provedor

Em seu terceiro mandato, Kalil Rocha Abdalla está desde 2008 à frente da instituição

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

11 Dezembro 2014 | 03h00

Diante dos indícios de má gestão na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo apontados por auditoria feita pela Secretaria Estadual da Saúde, membros da irmandade da instituição já se articulam para exigir a renúncia do provedor da entidade, Kalil Rocha Abdalla, cargo máximo na hierarquia da Santa Casa. Em seu terceiro mandato, Abdalla está desde 2008 à frente da instituição.

A irmandade da Santa Casa é formada por cerca de 500 pessoas, indicadas pelo próprio provedor ou por outros irmãos. Eles são os responsáveis por eleger, a cada dois anos, o provedor e a chamada mesa administrativa, formada por 50 pessoas. A Provedoria e a mesa cuidam diretamente da gestão das unidades de saúde controladas pela instituição filantrópica.

Com dívida milionária e indícios de problemas na administração da entidade, membros da irmandade já estão recolhendo assinaturas de colegas para dar início a um processo que pedirá a saída do provedor.

De acordo com o estatuto da Santa Casa, são necessárias cerca de cem assinaturas de membros da irmandade - o equivalente a um quinto dos componentes - para que seja iniciado um pedido de saída do provedor do cargo. 

Recolhidas as assinaturas necessárias, Abdalla seria obrigado a convocar uma assembleia de toda a irmandade para que fosse votada a sua saída. A destituição só seria aprovada se a maioria dos irmãos presentes na assembleia votasse pela medida.

Crise. Os indícios de má gestão foram apontados por auditoria finalizada em setembro por uma comissão formada por representantes dos governos federal, estadual e municipal.

A análise financeira foi a condição imposta pelo governo do Estado para repassar verba extra para a Santa Casa em julho, após a instituição fechar seu pronto-socorro por 30 horas por suposta falta de recursos para a compra de materiais e medicamentos.

Na ocasião, o serviço foi reaberto graças a um repasse emergencial de R$ 3 milhões da secretaria, que, em contrapartida, exigiu maior transparência na gestão da entidade.

Além da auditoria feita pelo governo, a Secretaria Estadual da Saúde contratou uma empresa de auditoria externa para fazer uma análise mais profunda das finanças da entidade. É o resultado dessa auditoria que deverá ser apresentado nesta quinta-feira, 11, aos irmãos da Santa Casa pelo governo do Estado.

Também nesta quinta, a direção da entidade participa de nova audiência de conciliação na Superintendência Regional do Ministério do Trabalho em São Paulo para discutir com líderes sindicais o atraso no pagamento da primeira parcela do 13.º salário e da remuneração do mês de dezembro. Funcionários ameaçam parar a partir de amanhã caso os pagamentos não sejam regularizados.

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