GABRIELA BILO / ESTADAO
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Meningite: governo amplia cobertura para menores de 11 anos após baixa vacinação

Taxa de imunização tem caído desde 2015 e ficou abaixo dos 80% pela primeira vez no ano passado; ministério quer evitar surtos, principalmente diante da crescente retomada das aulas presenciais

José Maria Tomazela e Júlia Marques, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2021 | 10h00

O Ministério da Saúde orientou a ampliação da faixa etária da vacina meningocócica C (contra meningite) para alcançar crianças ainda não vacinadas. Na pandemia, a cobertura dessa vacina, que já vinha em queda, atingiu patamares ainda mais preocupantes. Crianças menores de 11 anos não vacinadas poderão ser imunizadas gratuitamente com esta vacina em postos de saúde brasileiros até dezembro deste ano.

Originalmente, a vacina meningocócica C é aplicada em crianças de até quatro anos, em esquema de duas doses: aos 3 e 5 meses de vida, e uma dose de reforço, preferencialmente aos 12 meses de idade. A ampliação da faixa etária consta de um documento do Ministério da Saúde aos coordenadores estaduais de imunizações.

No documento, o Ministério da Saúde cita o agravamento da baixa cobertura vacinal durante a pandemia, ligada ao receio da população em buscar os serviços de saúde. A cobertura vacinal da meningocócica C, que ficava acima de 90% até 2016, começou a cair a partir de 2015.

No ano passado, a taxa ficou em 78,27%, abaixo de 80% pela primeira vez desde que passou a fazer parte do calendário nacional de vacinação, há 11 anos. A meta é alcançar 90% de cobertura.

O dado de vacinação em 2020 é preliminar e pode sofrer alterações à medida que mais registros são computados. Mas especialistas têm feito alertas de que há redução na procura por vacinas, de modo geral, e que a situação se agravou na pandemia. Outros imunizantes também tiveram redução de cobertura em 2020, alcançando patamares semelhantes aos verificados na década de 1980, e especialistas veem o risco de ressurgimento de doenças graves, como a poliomielite, que causa paralisia.

Diante deste cenário, a Coordenação-Geral do Programa Nacional de Imunizações identificou a necessidade de buscar as crianças e os adolescentes de até 10 anos, 11 meses e 29 dias de idade, não vacinados para a vacina meningocócica C.  

Apesar de a faixa etária em maior risco de adoecimento ser a das crianças menores de um ano de idade, os adolescentes e adultos jovens são os principais responsáveis pela manutenção da circulação da doença na comunidade, segundo a pasta. A única forma de controlar a doença é manter elevadas coberturas vacinais tanto na população infantil como em adolescentes.

O Ministério ressalta que o objetivo é evitar surtos, hospitalizações, sequelas, e mortes, “em especial quando do retorno das aulas presenciais”. A ampliação da faixa etária será feita até dezembro de 2021. Segundo a pasta, foram distribuídas aos Estados 819.500 doses da vacina meningocócica C em agosto e 968.400 doses em setembro. Para adolescentes de 11 e 12 anos, está disponível a vacina ACWY, contra quatro sorogrupos da doença.

A meningite é uma inflamação das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. No Brasil, a doença é considerada endêmica e a ocorrência das meningites bacterianas é mais comum no outono e no inverno. Essa forma da doença é geralmente mais grave e os sintomas incluem febre, dor de cabeça e rigidez de nuca. Também podem ocorrer convulsões, delírio, tremores e coma. De 2018 a 2021 foram confirmados 366 casos de doença meningocócica pelo sorogrupo C no Brasil.

No início deste mês, um menino de 2 anos e 11 meses morreu em Fortaleza após ser internado com febre alta. O laudo clínico apontou a meningite meningocócica como causa da morte. A secretaria municipal iniciou o protocolo profilático em relação à família e às pessoas que tiveram contato com o menino doente. A profilaxia incluiu alunos e professores de uma escola particular onde a criança tinha frequentado aulas.

Neste ano, até o último dia 4, foram registrados pela pasta estadual cearense três casos e um óbito pela doença. Outras meningites registraram 105 casos e seis óbitos. Em 2020, a meningite meningocócica causou a morte de seis pessoas no Estado.

A baixa cobertura vacinal preocupa a capital cearense, que está intensificando a imunização. No ano passado, a capital alcançou uma cobertura de 99% das duas doses da meningocócica C. Este ano, a cobertura com as duas doses ainda está em 61%.

No Estado de São Paulo, a cobertura vacinal também ficou abaixo da meta no ano passado: foi de 82,2%. Houve 159 casos e 32 mortes por meningite. Já em 2021, até o mês de abril, a cobertura em São Paulo estava em 77,1%, com  27 casos e 11 óbitos pela doença registrados até maio, segundo informou a Secretaria Estadual da Saúde.

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