Menino de 5 anos que tomou antirrábica falsa morre na China

Vacina não continha os componentes que combatem a doença; 1.600 pessoas receberam a dose

Efe

28 de setembro de 2010 | 08h39

PEQUIM - Um menino chinês de cinco anos morreu devido a uma mordida de cachorro por ter tomado uma vacina antirrábica que não tinha componentes que previnem ou combatem a doença, em uma clínica da região autônoma de Guangxi (sul do país), assim como outras 1.600 pessoas.

 

O jornal "South China Morning Post" publicou nesta terça-feira informações sobre o escândalo, que, apesar de ter acontecido no fim do ano passado, não tinha sido divulgado.

 

Em dezembro de 2009, o menino morreu por insuficiência respiratória provocada pela raiva na cidade de Laibin, 51 dias após receber a primeira injeção antirrábica das seis previstas.

 

O pai da criança, que levou o filho até uma clínica pública para que fosse vacinado contra a raiva após ser mordido por um cachorro, pediu exames a uma amostra da injeção.

 

As autoridades de controle de medicamentos de Laibin concluíram que a vacina era falsa, pois não encontraram os componentes que previnem e combatem a raiva. A empresa que fabrica o produto negou ter elaborado e distribuído fármacos na região autônoma Guangxi, segundo o jornal local "Nanguo Zaobao".

 

O chefe do departamento de saúde de Laibin, Deng Haiming, afirmou que cinco hospitais da localidade usaram remédios falsos, e outros seis hospitais e 23 clínicas compraram medicamentos de forma ilegal.

 

O caso da criança morta é o único confirmado até o momento como consequência de não ter recebido tratamento adequado, mas, segundo o "South China Morning Post", 1.656 pessoas foram vacinadas nestes centros de saúde, e várias morreram por "outras razões".

 

Entre junho e setembro, 1.649 pessoas inoculadas com vacinas falsas foram tratadas com injeções aprovadas pelo Governo e adquiridas pelas autoridades de Laibin.

 

As vacinas falsas, que eram misturas sem princípios ativos combinadas com água fervida, eram vendidas em Guangxi e passava por outros intermediários (em alguns casos até seis), até que chegava a um executivo de uma companhia farmacêutica, que as comprava para vendê-las às clínicas e hospitais.

 

Oito pessoas, sete de Guangxi e uma da província vizinha de Cantão, sul da China, foram detidas por produzir estas vacinas.

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