Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Merck diz que pílula anticovid reduz 50% do risco de hospitalização e morte de pacientes

O produto, conhecido como molnupiravir, é um dos vários antivirais em desenvolvimento para tratar e mesmo impedir o desenvolvimento da doença; Pfizer também está desenvolvendo um medicamento contra o coronavírus

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2021 | 08h39
Atualizado 01 de outubro de 2021 | 20h23

A companhia farmacêutica  Merck anunciou nesta sexta-feira, 1, que o tratamento oral que desenvolveu contra a covid-19 reduziu em torno de 50% o risco de hospitalização ou morte de pacientes, de acordo com os resultados de teste clínico. A empresa, junto com a Ridgeback Biotherapeutics, responsáveis pelo medicamento molnupiravir, solicitaram às autoridades de saúde dos Estados Unidos, o uso emergencial do remédio. Além disso, farão pedido de comercialização para outras agências reguladoras ao redor do mundo.

A Merck indicou que, a análise prévia do uso do composto molnupiravir mostrou que 7,3% dos pacientes submetidos ao tratamento foram hospitalizados nos 29 dias seguintes. Durante este período de observação, 14,1% dos pacientes que receberam placebo, foram hospitalizados ou morreram. Não houve óbito registrado entre aqueles que foram tratados com o medicamento, enquanto que oito daqueles que receberam comprimido sem qualquer fórmula, faleceram. 

"Caso seja autorizado o uso, o molnupiravir poderia ser o primeiro medicamento antiviral de uso oral contra a covid-19", afirma comunicado emitido pela Merck. O remédio, segundo explica a companhia, funciona inibindo que o novo coronavírus se replique dentro do corpo. "São necessárias, com urgência, mais ferramentas e tratamentos para combater a pandemia da covid-19, que se tornou na causa principal de mortes e continua afetando profundamente pacientes, famílias e sociedades", afirmou Robert Davis, presidente da  Merck.

"Com esses resultados impressionantes, estamos otimistas de que o molnupiravir possa se tornar um medicamento importante como parte do esforço global para lutar contra a pandemia", completou o dirigente.

De acordo com a  Merck, os 775 participantes dos testes tinham covid-19 sintomática, confirmada em laboratório. Foi administrado a eles o medicamento ou placebo, de forma aleatória, nos cinco primeiros dias de aparecimento dos sintomas. Além disso, os participantes não tinham sido vacinados contra a doença e portavam, pelo menos, uma condição que apontava para um risco maior de desenvolver formas graves da covid-19

Como o remédio não tem como alvo a proteína spike do vírus, que define as diferenças entre as variantes, o medicamento deve ser igualmente eficaz à medida que o vírus continua a evoluir, disse Jay Grobler, chefe do departamento de doenças infecciosas e vacinas na Merck. 

O molnupiravir atinge a polimerase viral, uma enzima necessária para que o vírus faça cópias de si mesmo. O remédio foi projetado para introduzir erros no código genético do vírus, evitando sua replicação. Segundo a farmacêutica, a droga é mais eficaz quando administrada no início da infecção. No Brasil, o laboratório é representado pela MSD (Merck, Sharp & Dome). 

Outros medicamentos 

Além da Merck, outras empresas estão desenvolvendo medicamentos contra a covid-19. A Pfizer, por exemplo, está testando um remédio desde o início deste ano para tratar pacientes com covid-19 e, agora, quer avaliar o uso profilático do mesmo medicamento. A ideia é que o remédio atue de forma a prevenir a covid-19 em indivíduos que foram expostos ao vírus.

O remédio PF-07321332 será testado em até 2.660 adultos saudáveis com 18 anos ou mais. Serão incluídas as pessoas que moram com alguém que está infectado pelo coronavírus e apresenta sintomas da doença. 

O medicamento foi feito para bloquear a atividade de uma enzima chave usada pelo coronavírus para se multiplicar. No estudo, o remédio será administrado com uma dose baixa de ritonavir, uma droga antiga e largamente usada em tratamentos para a infecção por HIV.

Os cientistas ainda não conseguiram desenvolver um remédio eficaz, de fácil administração e preço acessível para prevenir ou combater a covid-19. No início do ano, especialistas disseram ao Estadão que há uma dificuldade histórica em criar remédios que combatam doenças virais.

A principal estratégia adotada no início da pandemia foi o reposicionamento de fármacos. Pesquisadores analisaram a possibilidade de tratar pacientes infectados pelo coronavírus com remédios já existentes. Isso deixa o processo mais rápido e barato porque elimina algumas partes do estudo. No entanto, não houve sucesso.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou o uso de alguns medicamentos para tratar a covid-19, mas eles ainda são muito caros e de difícil administração. Estão aprovados para uso o remdesivir, o banlanivimabe e etesevimabe (usados em conjunto), o casirivimabe e imdevimabe (usados em conjunto), o regdanvimabe e o sotrovimabe. Todos os medicamentos só podem ser usados em ambiente hospitalar./COM INFORMAÇÕES DA EFE E REUTERS

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