Governo do Estado de São Paulo
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Mesmo com 8.000 leitos novos de UTI, SP ainda corre risco de falta de vagas, diz secretário da Saúde

José Henrique Germann afirma que a crise deve durar cinco meses, e pediu para as pessoas se resignarem e permanecerem em casa

Bruno Ribeiro, João Ker e Paloma Cotes, O Estado de S. Paulo

27 de abril de 2020 | 13h08

SÃO PAULO - O secretário estadual de Saúde de São Paulo, José Henrique Germann, afirmou nesta segunda-feira, 27, em entrevista coletiva para atualizar as informações sobre o novo coronavírus no Estado, que mesmo com um total de 8.000 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs) criados para enfrentar a doença, ainda há risco de pacientes ficarem sem vagas se a taxa de isolamento social do Estado permanecer nos índices atuais.  Germann disse ainda haver expectativa de a crise, iniciada em março, ter cinco meses de duração, e pediu para a população se resignar e ficar em casa.

“Gostaria de salientar que frente ao número de leitos que o senhor prefeito colocou, e mais aqueles que nós podemos chegar, perto talvez de 8.000 leitos, todos de UTI, não seremos suficientes se as pessoas não ficarem em casa e não mantivermos a taxa de isolamento em torno de 60%”, disse Germann.

“Isso é extremamente importante e sem isso, com todos esses leitos, a gente ainda pode ter algumas dificuldades, tanto somando a Grande São Paulo, todas as prefeituras, e a secretaria (da Saúde)”, complementou o secretário.

Neste fim de semana, a taxa de isolamento ficou em 52% no sábado e  58% no domingo. Ao longo da semana, a taxa tem oscilado em valores abaixo dos 50%. O dado é baseado no total de telefones celulares que se deslocam pelo Estado, comparado com o total de celulares ativos. Apenas as cidades com mais de 70 mil habitantes têm sido monitoradas.

O secretário afirmou que a epidemia está se propagando no Estado de forma similar ao que ocorreu em outras cidades do mundo. "Temos algum tempo ainda desta epidemia, mas ela não vai ser indefinida. Ela tem um tempo de vida, deve demorar cinco meses", disse. "Então, nós temos que nos resignar para viver. Temos de ficar em casa cada vez mais. Coloque as pessoas idosas em casa. Só saia para trabalhar as pessoas envolvidas nas atividades essenciais para manter o 'fique em casa'. Gostaria muito de salientar isso. É o único remédio que nós temos."

Estado ganha mais leitos de UTI

O governo do Estado instalou mais 100 leitos de UTI no Hospital das Clínicas neste fim de semana.

Na coletiva, a diretora clínica do Hospital das Clínicas, Eloísa Bonfá, anunciou que a instituição isolou desde 30 de março quase metade dos leitos para pacientes da covid-19 e cerca de 1.000 pessoas já foram internadas desde então.

"Eu queria que a população entendesse que estamos nos preparando para a maior operação de guerra em defesa da vida que o HC já viu em seus 76 anos", afirmou. Ela também anunciou a entrega de 200 novos leitos de UTI dedicados ao coronavírus.

"Ficou claro que a pandemia vai exigir mais de nós. O governador e o secretário nos pediram para ampliar em mais 100 leitos", explicou, acrescentando que a operação de transformar enfermarias e clínicas em leitos de UTI é complicada e demanda tempo, agradecendo ainda o apoio de iniciativas do setor privado e do governo de São Paulo.

De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde, São Paulo tem 20.715 casos confirmados da doença, 1.700 mortes. 1.509 pacientes estão internados em UTI. 

Nesta segunda-feira, a Prefeitura de São Paulo inaugurou nova ala no Hospital do M'Boi Mirim, na zona sul, que tem mais 514 leitos dedicados aos pacientes com covid-19. 

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