Divulgação/Prefeitura de SP
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'Mesmo com o custo político, se técnicos da saúde recomendarem lockdown, nós vamos fazer', diz Covas

Em entrevista à GloboNews, prefeito de São Paulo defende medidas mais duras caso população não respeite o isolamento social

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2020 | 16h18

SÃO PAULO - O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), defendeu na manhã desta terça-feira, 12, medidas mais duras caso a população não respeite o isolamento social na cidade. Nesta terça-feira, a taxa de isolamento social na cidade ficou em 49%, índice abaixo da meta mínima de 50% esperado pelo governo, mas o melhor resultado para um dia útil aferido nas duas últimas semanas.

Durante entrevista à GloboNews, Covas não descartou a possibilidade de lockdown. "Mesmo com o custo político, se chegar em um momento que os técnicos da saúde recomendem, nós vamos fazer. Mesmo com a dificuldade de fazer isso de forma isolada, uma cidade como São Paulo, onde não se vê a divisa entre São Paulo e São Caetano ou São Paulo e Guarulhos, as pessoas moram em uma cidade e trabalham em outra", afirmou.

No entanto, Covas disse que de acordo com a realidade metropolitana de São Paulo, a medida terá mais efeito se for feita também pelos 39 prefeitos da região ou pelo Governo de São Paulo. "A Prefeitura de São Paulo isoladamente decretar isso, o efeito não será o esperado, mas vamos seguir as recomendações". Ele acrescenta que muitas cidades ficam próximas de bairros mais periféricos da capital paulista, "onde há mais casos de mortes pelo novo coronavírus".  

Sobre a ampliação do rodízio municipal de veículos na cidade, Covas considera como acertada a mudança. Segundo o prefeito, a cidade registrou índice de isolamento de 49,3% na segunda-feira, 11, no primeiro dia em que o rodízio ampliado entrou em vigor.

"O índice de isolamento, que era de 46% na sexta-feira, 8, foi de 49,3% nesta segunda-feira. E mostra que estamos no caminho de voltar aos 55% e 60%, que é o que nós tínhamos no início da quarentena. Voltando a este índice, a gente volta a suspender o rodízio na cidade de São Paulo. Quanto mais as pessoas colaborarem e ficarem dentro de casa, mais a gente pode falar sobre flexibilização. Quanto menos pessoas colaborarem, mais a gente precisa endurecer com as regras", afirmou Covas.

De acordo com o prefeito, a restrição provocou a diminuição de 1,5 milhões de veículos nas ruas e acréscimo de 270 mil pessoas no transporte público municipal. "Aumento de 6% no número de passageiros, acompanhado pelo aumento de 12% na frota de ônibus. Também estamos acompanhando o movimento nos trens (da CPTM) e do Metrô, de responsabilidade do Governo de SP", justificou.

O prefeito de São Paulo voltou a dizer que a postura do presidente Jair Bolsonaro não colabora com o isolamento social necessário para conter o avanço da covid-19. "Se ele mostrasse para as pessoas o quanto é importante ficar em casa, já colaboraria bastante".

Sobre o decreto editado pelo presidente e publicado em edição extra do Diário Oficial da União que considera salões de beleza, barbearias e academias como atividades essenciais, Covas disse que sua decisão será apresentada até quarta-feira, 13.

"Estamos verificando com o pessoal da vigilância sanitária se vamos abrir as atividades com algum protocolo de atendimento ou se não vamos levar em consideração o decreto presidencial sobre atividades que foram consideradas essenciais pelo presidente da República, como salões de beleza e academias". Nesta terça-feira, a Prefeitura de São Paulo publicou edital de chamamento público em que solicita 100 leitos de internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) a hospitais privados da capital paulista.

"Tínhamos na cidade de São Paulo 507 leitos de UTI nos nossos 19 hospitais. Ampliamos em 790 leitos de UTI. Vamos chegar a uma ampliação total de 1.500. Com a parceria com o setor privado, acrescentar mais 800 leitos de UTI na capital. Para evitar, quem é tratado ou não. Conseguir, assim, taxa de 90% de pessoas que conseguem tratamento e ter alta depois".

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