Yuriko Nakao/Reuters
Yuriko Nakao/Reuters

Mesmo com os olhos vendados, golfinhos são mestres da imitação

Animal de 7 anos de idade na Flórida é capaz de copiar o comportamento de outro sem vê-lo

Reuters

14 Janeiro 2011 | 16h31

Mesmo com os olhos vendados, um golfinho de 7 anos de idade chamado Tanner é capaz de reproduzir o comportamento de outro - prova, segundo pesquisadores da Flórida, de que esses mamíferos são os mestres da imitação, atrás apenas dos seres humanos.

Quando teve sua visão obstruída, Tanner usou os demais sentidos para descobrir o que o outro animal estava fazendo e, então, copiá-lo, disseram os pesquisadores do Centro de Pesquisa de Golfinhos no arquipélago Flórida Keys (EUA), cujo estudo foi publicado na revista científica International Journal of Comparative Psychology.

Os testes foram feitos durante 11 semanas, com 31 comportamentos diferentes. A reprodução vocal foi feita com 75% de precisão; a motora, com 41%; e a combinação das duas, com 50%.

Os pesquisadores do centro, que não tem fins lucrativos, pretendem realizar estudos adicionais para "mapear a mente dos golfinhos", a fim de saber mais sobre a evolução da cognição humana.

"Olhar para um animal tão distante de nós e que ainda compartilha algumas habilidades cognitivas diz algo sobre nós mesmos", disse a dra. Kelly Jaakkola, diretora do centro de pesquisa e uma das autoras do trabalho.

A capacidade de imitação é rara em animais. Primatas como os chimpanzés, muitas vezes, podem fazê-lo, mas somente os seres humanos e os golfinhos são proficientes, afirmou Kelly. "A maioria das pessoas pensa: "Macaco vê, macaco faz". É um mito. Golfinhos são realmente bons nisso. Depois dos humanos, eles são os melhores", destacou a diretora.

Como outros golfinhos do centro, Tanner já havia sido treinado para desempenhar uma lista de truques, como submergir e fazer bolhas, recuperar um objeto na lagoa, fazer barulho de gaivota, levantar-se e oferecer uma nadadeira para "apertar as mãos" de uma pessoa ajoelhada do lado de fora.

Os pesquisadores não têm certeza se Tanner manifestou o que o outro golfinho estava fazendo porque reconheceu o som que aquela ação produzia ou se usou a ecolocalização, um sistema sensorial usado por morcegos e golfinhos para determinar a direção e a distância dos objetos pelo tempo que um eco demora para voltar.

Tanner nasceu em cativeiro, mas golfinhos em estado selvagem também são conhecidos por imitar uns aos outros. Os machos fazem exibições sincronizadas ao redor das fêmeas, com um líder e os demais o copiando.

Golfinhos reproduzem, ainda, os assobios uns dos outros, que funcionam como uma assinatura distinta, uma espécie de nome. Eles fazem isso para anunciar sua presença e chamar determinado animal, segundo Kelly.

"Ninguém foi capaz de encontrar nenhum tipo de sentido nesses sons (assobios e cliques). Isso não significa que eles não existem", afirmou a diretora.

Os pesquisadores da Flórida querem ampliar as pesquisas para ver se os golfinhos podem aprender novos truques com os olhos vendados. Eles esperam que a demonstração de inteligência desses animais dê ao homem mais incentivo para preservá-los, completou Kelly.

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