Mesmo fora de época, dengue cresce em São Paulo

A campanha contra a dengue sempre é intensificada no verão, quando as altas temperaturas e as chuvas constantes aceleram a proliferação do mosquito Aedes aegypti. Em São Paulo, no entanto, apesar do frio e da seca que começaram em abril, o número de pessoas infectadas não pára de crescer. Até a semana passada, o dado oficial era de 313 casos contraídos na Cidade - oito vezes mais do que os 37 registros em todo o ano passado. E o total real é ainda maior. Além da época, a doença também apareceu em bairros incomuns. Ao lado de Itaquera, na Zona Leste ou a recordista Favela Jardim D'Abril, no Rio Pequeno, o Alto de Pinheiros está entre os maiores focos da doença. Lá a equipe de vigilância já aponta 20 casos, embora o site da Prefeitura ainda conte apenas 12. Alguns moradores do bairro nobre da Zona Oeste foram avisados do problema pela reportagem. "Mas as pessoas pegaram dengue aqui?", questionou Maria Cristina de Azevedo Costa Mendonça, que vive na Rua Cardoso de Melo Júnior, um dos endereços que deveria ter recebido inseticida depois da confirmação de casos. Ela perguntou à empregada se sabia de algo e, diante da negativa, ficou indignada. "Ninguém avisou nada." A versão da Prefeitura é diferente. Segundo a responsável pela supervisão de Vigilância em Saúde Ambiental de Lapa e Pinheiros, Maria Cecília Marcondes Veiga, toda as casas próximas aos focos confirmados foram visitadas. "O problema é que muita gente não abriu a porta para os agentes trabalharem", explica. Para a nebulização, os agentes sanitários precisam entrar no quintal. "Tivemos de mandar uma carta aos moradores, isso tomou um tempo que pode ter piorado a situação", conta Maria Cecília. Além disso, agentes acostumados a casas menores calcularam mal a quantidade necessária para cobrir um quarteirão inteiro e o produto faltou em uma das primeiras ações. "Agora está tudo resolvido, cobrimos toda a área afetada", garantiu a responsável depois da última nebulização, ontem. Três casos do bairro foram confirmados há duas semanas. Em São Paulo, a última epidemia foi registrada em 2002, com 760 pessoas infectadas. Na época, dizia-se que a crise foi importada do Rio de Janeiro, onde em 2001, quando o ex-prefeito José Serra era ministro da Saúde, o estado fluminense registrou quase 40 mil casos. Em 2003, a Capital paulista teve 434 casos e, em 2004, apenas 10. Para saber em que locais a Prefeitura está fazendo ações especiais - e quando abrir a porta para os agentes - o paulistano pode ligar para (011) 3816-1186.

Agencia Estado,

07 de junho de 2006 | 10h35

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