Scott Sinkler/The New York Times
Scott Sinkler/The New York Times

Metade dos paulistanos tem excesso de peso, aponta pesquisa

Zona norte apresenta a maior taxa de pessoas acima do índice indicado, mostra o Inquérito de Saúde de Base Populacional

Juliana Diógenes, O Estado de S.Paulo

31 Março 2016 | 13h20

SÃO PAULO - Metade da população da capital paulista tem excesso de peso, de acordo com dados do Inquérito de Saúde de Base Populacional (ISA Capital), apresentados nesta quinta-feira, 31. A pesquisa foi feita no ano passado e revelou que, entre pessoas com mais de 12 anos, 49,7% têm Índice de Massa Corporal (IMC) maior do que o indicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como saudável. Esse índice é determinado pela divisão do peso pela altura ao quadrado.

O resultado para excesso de peso é a soma dos índices de sobrepeso e obesidade. Em 2003, na primeira edição do levantamento, eram 38% e, há oito anos, o índice era de 42,3%. 

A zona norte tem a maior taxa (53,9%), acima do comportamento geral da cidade, e a centro-oeste, a menor (41,4%). A prevalência é para mulheres, que representam fatia maior na comparação com os homens em duas faixas etárias: de adolescentes entre 12 e 19 anos, e acima de 60. Já na faixa de 20 a 59 anos há mais pessoas do sexo masculino com excesso de peso do que mulheres.

São Paulo segue a tendência nacional. No País, são 52,5% dos brasileiros com excesso de peso. Financiada pela Prefeitura de São Paulo, a terceira edição da pesquisa entrevistou 4.043 moradores das cinco regiões da capital e avaliou hábitos e comportamentos relativos à saúde da população de acordo com sexo, idade e, pela primeira vez, por região da cidade. 

Para o secretário municipal da Saúde, Alexandre Padilha, é preocupante o aumento da obesidade, taxa que começa a crescer também entre crianças e adolescentes.

“A saúde tem a ver com hábitos alimentares, por isso é importante mudar esse hábito alimentar já no período escolar das crianças”, afirma. 

Padilha destaca a importância de uma merenda escolar nutritiva nas escolas particulares. O secretário defende que a vigilância da Prefeitura faça inspeções nas cantinas de unidades de ensino privadas. Segundo ele, uma parceria com a Secretaria Municipal da Educação já determina alimentação mais balanceada na rede pública. 

“É importante discutir a possibilidade de ter uma lei municipal para estabelecer o que tem de ser oferecido para as crianças nas escolas, que regularize o que é oferecido nas cantinas. Não pode ter grande oferta de frituras e refrigerante como hoje”, afirma o secretário.

Além da vigiar o valor nutritivo do cardápio nas escolas, Padilha destaca que também é preciso estimular as atividades físicas ao ar livre. “Vamos aproveitar as ruas de lazer, a Paulista aberta, os parques.”

Hábitos. Com obesidade severa (IMC 39, enquanto o considerado saudável vai de 18,5 a 25), o gerente administrativo Teddy Alberto Carpi de Castro, de 29 anos, reconhece a importância de garantir desde agora a alimentação saudável das duas filhas pequenas, hábito que não teve durante a infância. Criado na casa de avó e acostumado a comer muito doce, Castro só teve acesso a verduras na vida adulta. 

“Não tinha costume de comer fruta nem verdura quando era pequeno. Só depois de adulto comecei a conhecer salada. Mas eu e a minha mulher insistimos para nossas filhas comerem salada e legumes desde já. Elas adoram chuchu e quiabo”, conta.

Castro defende que as filhas sejam apresentadas a comidas saudáveis desde cedo para evitar complicações quando estiverem mais velhas.

Faz seis meses que ele se prepara para se submeter a uma cirurgia bariátrica, procedimento pelo qual a mulher já passou. O gerente administrativo não tem hipertensão nem diabete, já fez dietas e atividades físicas, e acredita que a cirurgia é importante neste momento como forma de prevenção. “Quero poder brincar com as minhas filhas, correndo, me escondendo, me abaixando, sem cansar tão rapidamente. Brinco um pouco e já não aguento mais as pernas. Tenho de deitar ou sentar. Com menos peso, poderia curtir mais.” 

Outros índices. Fatores associados à obesidade, como hipertensão e diabete, também cresceram na capital paulista. O número de hipertensos aumentou de 14%, em 2003, para 20,4% em 2015. A região sudeste da cidade apresentou a maior taxa (23,5%). Já os diabéticos representam 6,7% da população, ante 4,1% em 2003. 

Na avaliação da coordenadora da pesquisa, a médica Margarida de Azevedo Lira, o excesso de peso é questão de saúde pública e tem origem na infância, quando a alimentação da criança é inadequada. Ela cobrou que sejam tomadas medidas em nível nacional, como políticas para redução de sal e gordura nos alimentos. “Se não tivermos ações que invistam nessa direção, vamos ter uma população de obesos no futuro, como já observamos nos Estados Unidos”, compara.

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