Divulgação/AP
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Mexicana de 10.000 anos dá pistas sobre ocupação das Américas

Reconstituição de aparência feita com base em esqueleto encontrado em 2002 sugere origem indonésia

Associated Press

23 Julho 2010 | 18h17

Uma reconstituição científica de um dos mais antigos conjuntos de restos humanos das Américas parece dar apoio às teorias de que os primeiros povos a emigrar para este hemisfério vieram de uma área mais ampla do que se imaginava.

 

O Instituto Nacional de Antropologia e História do México divulgou fotografias da imagem reconstituída de uma mulher que provavelmente viveu na costa caribenha do México há 10.000 ou 12.000 anos.

 

Antropólogos acreditavam que os seres humanos migraram para as Américas durante um período curto e vindo de uma área limitada no nordeste da Ásia, por meio de uma ponte de terra temporária aberto no Estreito de Bering durante uma era glacial.

 

Mas o arqueólogo mexicano Alejandro Terrazas diz que o quadro agora se complica, porque a reconstituição lembra mais o povo de áreas como a Indonésia.

 

"A história não é tão simples", disse Terrazas. "Isso indica que as Américas foram povoadas por diversos movimentos migratórios, não só uma ou duas ondas via Bering".

 

Alguns especialistas não ligados ao estudo mexicano pedem cautela.

 

Ripan Malhi, da Universidade de Illinois, disse que "usar reconstituição facial para determinar ancestralidade não é tão forte quando usar DNA, porque o ambiente pode influenciar as características da face". Ele acrescenta que a preponderância da evidência genética indica o nordeste da Ásia como a principal fonte dos primeiros americanos.

 

No entanto, há poucas oportunidades de usar DNA para identificar as origens dos primeiros habitantes do continente, porque poucos esqueletos de mais de 10.000 anos sobrevivem.

 

A mulher, conhecida como "La Mujer de las Palmas", foi descoberta por mergulhadores em 2002.

 

Mergulhador manipula do crânio da 'Mujer', encontrado numa cova submarina. Divulgação/AP

 

A antropóloga Susan Gillespie, da Universidade da Flórida, lembra que, embora a teoria da ponte de Bering ainda tenha muito apoio, "a situação é muito mais complexa que o cenário direto... de caçadores correndo atrás de mamutes pela 'ponte de Bering' até o Alasca".

 

"Recentemente tem havido muita investigação séria sobre as diversas origens dos migrantes, seus modos de transporte e as datas em que chegaram", disse ela.

 

A antropóloga advertiu contra a comparação das características faciais da reconstituição com as de populações atuais, já que a ocupação de áreas como a Indonésia provavelmente mudou nos últimos 10.000 anos. "É preciso encontrar esqueletos do mesmo período na Ásia, ou usar reconstituições genéticas, para ter uma conexão forte".

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