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'Microcefalia está tomando dimensão nacional', diz Dilma

Presidente lançou plano de enfrentamento ao problema que inclui combate ao mosquito, acompanhamento de gestantes e pesquisa

Lígia Formenti, O Estado de São Paulo

05 Dezembro 2015 | 18h19

RECIFE - A presidente Dilma Rousseff afirmou neste sábado, 5, que o aumento de casos de microcefalia identificado no País é uma questão preocupante, mas não deve causar pânico. "A nossa principal preocupação é que isso pode caracterizar - e está se caracterizando - uma doença que está tomando dimensão nacional. Eram 14 Estados e já pode chegar a 16. Não é uma questão de pânico, mas é uma questão de grande atenção, ter noção de que isso tem de ser combatido, saber que provoca uma doença  bastante complicada porque afeta crianças - o futuro do Brasil", disse a presidente, logo depois de se reunir, em Recife, com integrantes do grupo que preparou um plano nacional de enfrentamento contra a má formação.

Dilma fez elogios à vigilância epidemiológica de Pernambuco e observou que em outros Estados o número de casos suspeitos pode ser maior do que o declarado, em razão de eventuais subnotificações. Questionado, o Ministério da Saúde não confirmou se a doença já atinge 16 Estados - portanto dois a mais do que o indicado no último boletim, 14.

A visita da presidente ao Estado, o mais afetado pelo nascimento de bebês com microcefalia, ocorre quase um mês depois de o governo decretar estado de emergência sanitária em nível nacional em razão do aumento inesperado dos índices da doença. Até a semana passada, haviam sido identificados1.248 casos suspeitos, em 14 unidades da federação. Pernambuco registra 646.

Genérico, o plano lançado neste sábado traz eixos de ação para combate ao mosquito, atendimentos de pacientes e desenvolvimento de pesquisas que ajudem a conhecer mais sobre o zika, vírus transmitido pelo mesmo vetor da dengue, o Aedes aegypti, e que está associado a um aumento expressivo do número de casos da microcefalia.

O foco principal, no entanto, é o combate ao inseto. "Estamos dando inicio a uma ação que vai articular o governo, com Forças Armadas, uma rede de força federal com força estadual. Tem de ser uma mobilização nacional. E para ser vitoriosa, tem de contar com a participação da população."

A ação do Exército no combate aos focos do mosquito Aedes aegypti estava programada para ocorrer ontem em Pernambuco, mas foi adiada. Não houve uma justificativa. Integrantes da ação, no entanto, atribuíram o adiamento da ação justamente à visita da presidente ao Estado.

Embora considere o combate ao mosquito essencial, a presidente afirmou não haver ainda valores estipulados para as ações que serão realizadas. Ela observou, no entanto, que Estados e municípios terão também de colaborar. "Tem de ser uma ação conjunta, todo mundo tem de colaborar". Nesta terça, 8, está prevista a realização de um encontro com representantes de governos estaduais e municipais para discutir os valores.

A presidente irritou-se quando foi perguntado sobre qual a contrapartida que o governo federal daria para os recursos destinados pelo governo de Pernambuco às ações de combate ao mosquito vetor. "Essa é uma visão equivocada, não é assim", disse. 

Dilma disse ser necessário que todos trabalhem unidos:  "Tem de unir todos nós, independentemente do que pensamos sobre qualquer coisa."

Ao fazer uma apresentação do plano, Dilma atrapalhou-se para falar sobre detalhes da transmissão dos vírus da dengue pelo Aedes aegypti, e sobre a microcefalia e zika. "Não sou especialista, mas tenho noção do quadro geral."

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