Mieloma múltiplo: evento chama atenção para diagnóstico e tratamento do paciente durante a pandemia
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Mieloma múltiplo: evento chama atenção para diagnóstico e tratamento do paciente durante a pandemia

Especialistas falaram sobre a importância de facilitar o acesso a diagnóstico e tratamento para evitar uma epidemia de casos detectados em estágio avançado

Janssen, Media Lab Estadão
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06 de abril de 2021 | 13h08

A medula óssea é frequentemente descrita como uma fábrica de sangue instalada no interior dos ossos. Pois é justamente um descontrole nessa produção o responsável pelo surgimento do mieloma múltiplo. De acordo com a Associação Brasileira de Mieloma Múltiplo, são estimados 7.600 novos casos dessa doença no país todo ano. 1 Para debater sobre o tema, o Media Lab Estadão promoveu, no dia 30 de março, a live #TudoBemTratar o Mieloma Múltiplo, com patrocínio da Janssen.

“O mieloma múltiplo é um tipo de câncer do sangue, mais especificamente relacionado a uma célula, o plasmócito, um glóbulo branco que tem a função de produzir anticorpos”, esclareceu o hematologista Angelo Maiolino, diretor de Comunicação da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH). Na doença, essas células começam a se multiplicar e a produzir um anticorpo anormal, provocando manifestações como dor óssea, sobretudo nas costas, além de anemia, cansaço, infecções frequentes, problemas renais e fraturas.

O mieloma múltiplo acomete pacientes em uma mediana de idade por volta de 60 anos e por apresentar sintomas que podem ser confundidos com osteoporose ou mesmo com sinais naturais do envelhecimento, muitas vezes o problema passa despercebido. “Numa recente pesquisa, feita durante a pandemia, 67% dos pacientes relataram sofrer de dor lombar”, exemplificou Christine Battistini, presidente da International Myeloma Foundation (IMF) Latin America. Não por acaso, na jornada pelo diagnóstico, a pessoa demora de seis meses a até mais de um ano para ter a doença confirmada.

Diante de um quadro de dor nas costas persistente, que não passa com analgésico comum, cansaço excessivo, alteração de ritmo urinário e repetidas infecções, é preciso investigar, por meio de exames como hemograma e eletroforese de proteínas séricas – esse último capaz de detectar alteração na quantidade de proteínas circulantes no sangue. De acordo com Christine, a eletroforese deve ser incorporada ao check-up para que seja possível mudar a realidade do Mieloma Múltiplo no Brasil. “Nos Estados Unidos, 34% dos pacientes são diagnosticados nos exames de rotina; no Brasil, esse número não chega a 1%”, lamentou Christine. “Com esse exame, que custa entre R$ 8 e R$ 9, é possível diagnosticar cerca de 80% dos casos”, completou. Assim, destacou Angelo Maiolino, a suspeita da doença poderia ser levantada por diferentes especialidades médicas antes mesmo do aparecimento dos sintomas. E o paciente seria encaminhado para acompanhamento com um hematologista o mais cedo possível.

Tratamentos avançados

Nas últimas duas décadas, a ciência promoveu significativos progressos no tratamento do mieloma múltiplo. “Primeiro com a técnica do transplante autólogo de medula óssea, em que o doador é o próprio paciente, e também com a chegada de medicamentos de precisão, os imunomoduladores, classes terapêuticas mais inovadoras”, descreveu Angelo Maiolino. Embora ainda não se possa falar em cura, esses recursos promovem um controle eficaz da doença e garantem qualidade de vida.

Para o hematologista, embora o Brasil tenha apresentado avanços no que diz respeito à regulação para incorporação desses fármacos no sistema de saúde, além da recente ampliação dos valores disponíveis para a cobertura do tratamento do Mieloma Múltiplo no SUS, ainda há um descompasso nas opções terapêuticas entre os sistemas público e privado e por isso é preciso continuar o trabalho para facilitar o acesso às diferentes alternativas de tratamento disponíveis no sistema de saúde suplementar.

Desafios em tempos de Covid-19

No contexto da pandemia, aumenta a preocupação com o volume de casos de mieloma múltiplo que deixarão de ser diagnosticados em sua fase inicial. “As pessoas vêm deixando de fazer a prevenção e, com isso, a doença vai ser detectada tardiamente, em estágios mais avançados”, alertou a deputada federal Silvia Cristina, presidente da Frente Parlamentar Mista em Prol da Luta contra o Câncer. “Precisamos caminhar a passos largos para recuperar o tempo perdido, com mais investimento em saúde”, disse. O ponto ganha ainda mais relevância se considerarmos as dimensões e as desigualdades do país. Somente agora, por exemplo, a região Norte vai ganhar o primeiro centro de prevenção e diagnóstico de câncer, informou a deputada, representante do estado de Rondônia no parlamento.

De acordo com Silvia Cristina, que também foi sub-coordenadora do Grupo de Trabalho na Câmara dos Deputados para modernização e atualização da tabela SUS, alguns itens da tabela que determina os valores dos recursos que serão repassados para as unidades de saúde da rede pública referentes a serviços prestados estão defasados e devem ser atualizados. "O SUS é fantástico, mas ele tem que funcionar a partir do momento que trabalharmos essa atualização", comentou a deputada.

“Nesse período de pandemia, quem já está em tratamento não sofreu um grande impacto. Mesmo os transplantes, que foram suspensos por um tempo, já voltaram a ser realizados”, avaliou Christine Battistini. “O grande problema é que não foram feitos novos diagnósticos como deveria ter sido feito e isso precisa ser revertido ainda este ano”, defendeu.

Na opinião de Angelo Maiolino, o trabalho conjunto de associações médicas e de pacientes, governo e poder legislativo é fundamental para que a estrutura de saúde esteja pronta para atender adequadamente a epidemia de cânceres mais avançados, que deve acontecer em razão do represamento provocado pelo medo de buscar ajuda especializada em tempos de Covid-19.

“A pandemia vai passar, mas o câncer vai continuar existindo e temos que investir em prevenção e tratamento”, concluiu a deputada Silvia Cristina.

1 https://diretrizes.amb.org.br/_DIRETRIZES/mieloma_multiplo/files/assets/common/downloads/publication.pdf 

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