Milho transgênico pode beneficiar cultivo de milho comum, diz estudo

Nos EUA, redução na população de pragas estende benefício plantação de sementes naturais

Associated Press, AP

07 Outubro 2010 | 14h59

Milho geneticamente modificado para resistir ao ataque de um inseto tem um" efeito de aura" que oferece grandes benefícios a outras variedades de milho plantadas na mesma região, porque reduz a população da lagarta que ataca o milho numa ampla área, diz um novo estudo realizado nos Estados Unidos.

 

Dado que o custo da lagarta para os agricultores americano chegava a US$ 1 bilhão ao ano, os benefícios econômicos do milho Bt são "dramáticos", de acordo com estudo publicado na edição desta semana da revista Science.

 

Um comentário publicado na mesma revista e assinado pelo entomologista Bruce E. Tabashnik, da Universidade do Arizona, diz que o estudo é pioneiro, em parte porque é o primeiro a oferecer uma análise econômica baseada em dados de longo prazo e em larga escala.

 

O milho modificado gerou um benefício econômico de US$ 6,9 bilhões nos últimos 14 anos nos cinco Estados estudados, concluíram os cientistas, liderados por William Hutchison, chefe do Departamento de Entomologia da Universidade de Minnesota, e Paul Mitchell, economista agrícola da Universidade de Wisconsin.

 

Eles se disseram surpresos ao constatar que áreas plantadas com milho comum na verdade ficaram com 62% do benefício, ou US$ 4,3 bilhões. Isso por causa do efeito de "aura" do milho Bt e porque as sementes comuns são mais baratas.

 

O milho Bt deve o nome ao fato de ser criado para produzir uma toxina a partir de um gene de uma bactéria comum do solo, Bacillus thuringiensis. A toxina mata as lagartas, mas é considerada inofensiva para seres humanos e gado.

 

As lagartas perfuram a haste do milho e comem as folhas. Inseticidas não são muito eficazes contra elas, mas quando mordem milho Bt, param de comer em poucos minutos e morrem em no máximo dois dias, disse Hutchison.

 

Para evitar que as lagartas desenvolvam resistência à toxina, as autoridades exigem que os fazendeiros plantem um pouco de milho comum em "refúgios".

 

As mariposas da espécie botam ovos no milho comum e no milho Bt, aleatoriamente. As lagartas que eclodem no milho transgênico morrem muito antes de atingir o estágio de mariposa, e portanto não se reproduzem.

 

O estudo determinou que se a área coberta com milho Bt for grande o bastante, esse efeito reduz de tal forma  a população da praga que até mesmo o dano ao milho comum cai substancialmente.

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