Reuters/Dado Ruvic
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Ministério confirma memorando com a Pfizer para aquisição de 70 milhões de doses da vacina

Pasta disse que documento foi assinado nesta quarta-feira e prevê 8,5 milhões de doses ao longo do primeiro semestre. Antecipação para iniciar aplicação neste ano está condicionada a registro do imunizante

Luiz Carlos Pavão , O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2020 | 22h21

O Ministério da Saúde afirmou nesta quinta-feira, 10, que já há um acordo para a aquisição de 70 milhões de doses do imunizante contra a covid-19 desenvolvido pela farmacêutica americana Pfizer. O total, previsto para 2021, é suficiente para 35 milhões de brasileiros, pois são necessárias duas doses para cada pessoa.

De acordo com o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, “foi assinado nesta quarta-feira um memorando de entendimentos com a Pfizer para a aquisição de 70 milhões de doses para o ano de 2021. Havendo o registro para uso emergencial e condições para uso antecipadamente, haverá a possibilidade de se ter o acesso à vacina e se iniciar no corrente ano”, disse. 

Ele citou a declaração do ministro Eduardo Pazuello, que nesta quarta-feira declarou que a vacinação poderia ser iniciada ainda em dezembro. De acordo com o ministério, a previsão inicial do memorando de entendimentos com a Pfizer são 8,5 milhões de doses no 1º semestre de 2021 e 61,5 milhões de doses no 2º semestre. Os valores são sigilosos conforme foi acordado com a empresa. A Pfizer relatou 95% de eficácia do produto em testes.

Além do acordo, o ministério da Saúde informou que a empresa americana desenvolveu uma caixa térmica que garante a conservação das doses por 30 dias, além de ter sido oferecido suporte na logística de distribuição. 

Com isso se possibilita que a vacina seja conservada na temperatura de -70º por 30 dias, com a substituição de um refil de gelo seco periodicamente. A caixa tem capacidade para cerca de 5 mil doses divididas em 5 tabuleiros.

Para o ministério isso é relevante, pois as doses da vacina elaborada pela empresa americana é dividida em intervalos de 21 dias, o que significa que não seria necessário outro local de armazenamento para a imunização de um indivíduo.

Em nota, a Pfizer disse que encaminhou proposta para possível aquisição da vacina da companhia ao Ministério da Saúde que manifestou formalmente seu interesse. A empresa diz que está trabalhando nas negociações dos termos e condições para o contrato de fornecimento.

Em relação a seringas, foi firmada uma intenção de registro de preços para 330 milhões de unidades e também uma compra através da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) de mais 40 milhões para “mitigar riscos e diversificar o acesso”. Ainda não há uma definição de datas para a chegada deste material.

Questionado sobre a vacinação em São Paulo que pode começar antes do Programa Nacional de Imunizações, Franco disse que seria uma ‘situação indesejável’ e que o maior desafio neste caso é a rastreabilidade de quem for vacinado. 

Ele completou dizendo que “o Instituto Butantã e Pfizer estão com as mesmas condições”. “Existem memorandos de entendimentos e havendo o registro ou autorização de uso emergencial poderão ser inseridas no plano nacional de imunização, a não ser que seja uso emergencial, que é para públicos restritos”, comentou.

Apesar do acordo, o ministério diz que seria “leviano” transmitir uma data correta de quando se iniciará uma vacinação neste momento, uma vez que nenhuma das vacinas já têm registro ou está disponível para a população. Apenas após a autorização para uso emergencial ou mesmo com registro se poderá iniciar a imunização da população brasileira.

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