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Handout via REUTERS
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Governo critica proposta de vacina da Pfizer e diz que compra causaria 'frustração' aos brasileiros

Ministério ainda atacou cláusulas do contrato, como a exigência de assinar termo de responsabilidade sobre efeitos colaterais; previsão era de entrega de 2 milhões de doses no 1º trimestre

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2021 | 21h26

O Ministério da Saúde criticou neste domingo, 24, a proposta de venda de doses da vacina da covid-19 feita pela farmacêutica americana Pfizer. Segundo o governo, em nota, a aquisição de número restrito de doses funcionaria mais como uma 'conquista de marketing" para a fabricante, mas seria uma "frustração" para os brasileiros. A proposta da farmacêutica para o governo brasileiro envolvia 2 milhões de doses no primeiro trimestre e o imunizante tem 95% de eficácia contra o vírus. 

A pasta ainda classificou como "leoninas" e "absurdas" cláusulas do contrato proposto pela Pfizer e afirmou que não aceitará "imposições de mercado". Entre os itens atacados pelo governo, está a "assinatura de um termo de responsabilidade por eventuais efeitos colaterais da vacina, isentando a Pfizer de qualquer responsabilidade civil por efeitos colaterais graves decorrentes do uso da vacina, indefinidamente". Essa parte do acordo tem sido mencionada pelo presidente Jair Bolsonaro para questionar a segurança das vacinas. 

O ministério, que tem à frente o general Eduardo Pazuello, disse que em nenhum momento "fechou as portas para a Pfizer". Acrescentou ainda que esperava uma mudança de postura da multinacional, para uma entrega "viável e satisfatória". A pasta ainda menciona a complicada logística de armazenamento e transporte dos imunizantes da Pfizer, que exigem refrigeração entre -70°C e -80°C em ultracongeladores. Também reclamou da necessidade de comprar diluentes para poder aplicar o produto na população. 

Embora a maior parte de seus lotes tenha sido vendida para nações ricas, países da América Latina, como Chile e México, compraram doses da Pfizer para suas campanhas de vacinação. O Brasil começou a imunizar somente esta semana, atrás de pelo menos 56 países.

Especialistas afirmam que, diante do número limitado de doses, a aposta em um cardápio de vacinas pode acelerar as campanhas de vacinação. A pressão sobre o governo federal para aumentar o número de imunizados tem aumentado diante do recrudescimento da pandemia, que tem causado mais de mil mortes diárias no Brasil.

O Brasil já distribuiu seis milhões de doses da Coronavac e, neste sábado, 23, uma remessa de dois milhões de doses do imunizante da Universidade de Oxford e da farmacêutica britânica AstraZeneca foi enviada aos Estados, com prioridade para o Amazonas. Outros 4,1 milhões de doses da Coronavac também deve ser repartidos entre as secretarias estaduais nos próximos dias.

O desafio, no entanto, é renovar esse estoque: o Instituto Butantan e o a Fiocruz, responsáveis por fabricar a Coronavac e a vacina de Oxford no Brasil, dependem de insumos vindos da China para esse processo. O governo de São Paulo tem apelado por uma investida diplomática do governo federal, mas especialistas apontam resistência de Pequim após críticas de Bolsonaro e sua equipe. Nesse cenário, a Fiocruz já negocia a importação de mais doses prontas. 

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