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O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que a aplicação da terceira dose está respaldada por estudos científicos Eraldo Peres/AP Photo

Ministério da Saúde anuncia dose de reforço contra a covid a todos com mais de 18 anos

Aplicação será feita em quem tomou a segunda dose há mais de cinco meses; reforço estava liberado apenas para idosos, imunossuprimidos e profissionais da saúde

Julia Affonso, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2021 | 11h01
Atualizado 16 de novembro de 2021 | 13h18

BRASÍLIA - O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou nesta terça-feira, 16, que o governo vai aplicar uma dose de reforço da vacina de covid-19 para toda a população acima de 18 anos. A aplicação será para quem tomou a segunda dose há mais de cinco meses. Segundo Queiroga, há "doses de vacinas suficientes" para abastecer as 38 mil unidades básicas de saúde do País.

O Brasil tem 125,5 milhões de pessoas totalmente imunizadas contra a covid, ou 58,87% da população, segundo o levantamento do consórcio de veículos de imprensa. Inicialmente, a dose de reforço estava sendo aplicada a adultos acima de 60 anos, imunossuprimidos (doentes crônicos, por exemplo) e profissionais de saúde que haviam tomado a última vacina há seis meses. O intervalo de aplicação, portanto, diminuiu e o público foi ampliado.

Ao todo, 10,7 milhões em pessoas acima de 60 anos e trabalhadores de saúde já receberam essa dose de reforço. Pelas contas do Ministério da Saúde, outras 12,4 milhões estão aptas a receber mais uma aplicação ainda neste mês.

"Tínhamos autorizado essa dose de reforço, dose adicional, em todos aqueles que tinham tomado a segunda dose há mais de seis meses e que tivessem 60 anos", afirmou o ministro.

"Agora, graças às informações que temos advindas dos estudos científicos, principalmente, estudos de efetividade, realizados em parceria com a Fiocruz e de um estudo que encomendados em parceria com a Universidade de Oxford para avaliar a aplicação da 3ª dose, que já temos dados preliminares, nós decidimos ampliar essa dose adicional, dose de reforço para todos aqueles acima de 18 anos que tenham tomado essa segunda dose há mais de 5 meses."

A intenção da pasta é aplicar o reforço em 103 milhões de pessoas até maio. A faixa da população de 35 a 39 anos é a que tem mais gente: 10,7 milhões. Segundo Rosana Leite de Melo, secretária de Enfrentamento à Covid, a ideia é que até o meio do ano que vem todos acima de 18 anos tenham recebido a dose extra. "Dependendo do aprazamento, até por volta de junho, julho, alguém ainda irá necessitar de uma dose de reforço."

De acordo com Queiroga, a dose adicional está sendo aplicada com uma vacina diferente daquelas recebidas inicialmente, a chamada imunização heteróloga. Até o momento, apenas pessoas que tomaram AstraZeneca e CoronaVac estão aptas a receber o reforço. Por isso, a aplicação é feita com as vacinas da Pfizer.

O ministro declarou que ainda não foi decidido qual imunizante será aplicado em pessoas que receberam a Pfizer como primeira e segunda doses. "Em relação à vacina Pfizer, ainda não temos todas as informações sobre essa aplicação da vacina heteróloga. Há aqueles que defendem que deve ser a mesma vacina no caso da Pfizer. Isso ainda não é consolidado na ciência, qual que é a melhor opção", afirmou.

"Nós teremos esses dados. Como a vacina da Pfizer começou no Brasil em abril e foi crescendo, ainda não está no tempo de aplicar esse reforço em quem tomou Pfizer. Nós esperamos ter informações concretas a esse respeito em curto espaço de tempo."

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz, disse que os contratos fechados neste ano e os acordos que serão firmados em 2022 "são suficientes para poder fazer frente a essa redução de prazo" da dose de reforço.

"Temos, além desses contratos, duas opções de compra, totalizando mais 110 milhões de doses", relatou. "O governo, pensando que será necessário ou poderá ser necessário mais doses, colocou nesses dois contratos que estamos finalizando, duas opções de compra para mais doses, caso eventualmente se identifique essa necessidade de mais doses."

Vacinados com Jansen deverão receber segunda dose

O ministro afirmou que as pessoas que tomaram a vacina da Jansen seguirão outras regras. Elas deverão tomar uma segunda dose do mesmo imunizante, dois meses após a primeira aplicação. Após cinco meses do esquema vacinal completo, é que essas pessoas receberão o reforço.

"Esses que tomaram a vacina da Jansen vão tomar a segunda dose do mesmo imunizante", afirmou Queiroga. "Lá na frente, a sequência é: completou 5 meses da segunda dose, receberá uma dose de reforço, preferencialmente, com a vacina diferente, uma vacinação heteróloga."

Campanha do ministério reforça vacinação completa

Queiroga lançou na manhã desta terça-feira a campanha Mega Vacinação, para convocar a população para completar o esquema vacinal contra a covid entre 20 e 26 de novembro. Cerca de 21 milhões estão aptas a tomar a segunda dose. 

"Muitos não procuraram as unidades de vacinação para tomar a segunda dose. É fundamental essa segunda dose para que se complete o esquema vacinal", disse o ministro.

A secretária apontou que os cinco Estados com maior número de atrasados, proporcionalmente, são: Amapá, Ceará, Bahia, Pará e Roraima. A faixa etária de 30 a 34 anos é aquela com maior número de atrasados: 2,9 milhões de pessoas já podem finalizar a imunização. A AstraZeneca é o imunizante com maior número de atrasados, seguido por Pfizer e CoronaVac.

"Observamos que uma faixa etária mais jovem dos 25 a 34 anos estão perfazendo um quantitativo expressivo de não ter ido tomar a segunda dose", afirmou Rosana Leite de Melo.

"Os fatores que explicam isso são multifatoriais. Talvez uma não informação adequada em relação aos efeitos adversos, o medo, as propagandas que acontecem e também todos estão voltando a trabalhar, muitas vezes a questão econômica está pesando, sim, e eles têm dificuldade de ir a um determinada unidade fazer a sua vacinação porque está no trabalho."

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Imunizados com vacina da Janssen tomarão segunda e terceira dose de reforço, diz Ministério da Saúde

Imunizantes devem ser distribuídos aos Estados e municípios a partir de sexta-feira, 19

Julia Affonso, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2021 | 13h16
Atualizado 16 de novembro de 2021 | 19h32

BRASÍLIA - O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou nesta terça-feira, 16, que as pessoas que tomaram a vacina da Janssen, da farmacêutica Johnson & Johnson, precisarão tomar uma segunda dose do imunizante. A aplicação deverá ser feita dois meses após a primeira dose. O reforço para essas pessoas será feito cinco meses após o esquema vacinal completo.

Queiroga disse que a quantidade de vacinas da Janssen aplicadas no País foi pequena e que há imunizantes suficientes para a segunda dose. 

"No início, a recomendação era que essa vacina fosse de dose única. Hoje, nós sabemos que é necessária essa proteção adicional. Esses que tomaram a vacina da Janssen vão tomar a segunda dose do mesmo imunizante", afirmou o ministro. "Lá na frente, a sequência é: completou 5 meses da segunda dose, receberá uma dose de reforço, preferencialmente, com a vacina diferente, uma vacinação heteróloga."

De acordo com a secretária de Enfrentamento à Covid, Rosana Leite de Melo, o Ministério da Saúde vai seguir a recomendação do Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos EUA, e aplicar a segunda dose da Janssen dois meses após a primeira aplicação. A secretária disse que as vacinas chegaram nesta segunda-feira, 15, e devem ser distribuídas aos Estados e municípios a partir de sexta-feira, 19, "com todas as orientações".

"Quem tomou a Janssen completará o esquema vacinal. Embora esteja na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) uma dose única, compete a nós (Ministério da Saúde) as definições", disse. "A Janssen chegou aqui para nós em junho, julho. Estamos no tempo esperado."

Sobre a Janssen, a Anvisa informou em nota que a previsão é que até a próxima semana a Johnson & Johnson entregue os estudos sobre a eficácia e segurança da dose reforço da vacina Janssen. De acordo com a agência, o FDA considerou a segunda dose como reforço da seguinte forma: “O uso de uma dose única de reforço da vacina Janssen (Johnson e Johnson) Covid-19 pode ser administrado pelo menos 2 meses após a conclusão do regime primário de dose única em indivíduos com 18 anos de idade ou mais.”

A Anvisa ainda afirmou que "é importante diferenciar o esquema vacinal previsto em bula e estratégia de vacinação e reforço". 

"O esquema previsto em bula e aprovado pela Anvisa (quantidade de doses e intervalos) indica a forma de uso da vacina que, segundo os estudos, produzem os melhores resultados de imunização", afirmou a agência. "Já a estratégia de vacinação e reforço é uma decisão da autoridade de saúde (MS) sobre como determinado imunizante será aplicado na população de forma a se obter a melhor cobertura vacinal, e as estratégias de monitoramento das reações adversas."

De acordo com a agência, os dados disponíveis atualmente sugerem uma diminuição da imunidade em algumas populações, ainda que totalmente vacinadas. Na avaliação da Anvisa, a disponibilidade de doses de reforço "é um mecanismo importante para assegurar a proteção contínua contra a doença".

"A decisão sobre dose de reforço deve considerar o cenário epidemiológico, os estudos de efetividades, a circulação das cepas variantes e a segurança das vacinas, bem como uma efetiva estratégia de monitoramento das reações adversas e captação de sinais de interesse para a farmacovigilância", informou.

"Antes de incorporar a dose de reforço das vacinas, países como Estados Unidos, Canadá, Indonésia, Grã-Bretanha, Israel, membros da Comunidade Europeia e outros submeteram a estratégia à avaliação prévia das suas autoridades reguladoras. Primariamente, a terceira ou dose de reforço foi indicada para pessoas com sistema imunológico enfraquecido, idosos e profissionais de saúde."

O Estadão apurou que a decisão de ampliar o reforço para todos os adultos e de aplicar a segunda dose da Janssen pegou a diretoria da Anvisa de surpresa. Não houve nenhum contato do Ministério da Saúde com a agência antes de anunciar as mudanças.

Até o momento, apenas a Pfizer solicitou alteração do esquema vacinal previsto em bula para sua vacina. O atual esquema aprovado em bula prevê duas doses da vacina. O pedido apresentado à Anvisa prevê a aplicação de uma terceira dose. A solicitação está em análise na agência e pendente de complementação de dados pelo laboratório para que a análise tenha prosseguimento.

Cabe à Anvisa mudar as bulas das vacinas a partir de pedidos dos laboratórios fabricantes. Após a entrega dos dados, a agência autoriza ou não as alterações propostas. A Janssen já se reuniu com a Anvisa  para discutir a aplicação de segunda dose da vacina. A Johnson & Johnson, no entanto, ainda não formalizou o pedido.

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