Claudio Furlan/LaPresse via AP
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Ministério da Saúde avalia ampliar protocolo e testar para covid-19 quem apresenta sinais de gripe

Mudança passaria a analisar não apenas pacientes que estão internados

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2020 | 21h14

BRASÍLIA – O Ministério da Saúde avalia mudar o protocolo de testes para a covid-19 no Brasil e passar a analisar pacientes que buscam atendimento com síndromes gripais, ou seja, não apenas pessoas internadas ou que têm exames negativos para outros vírus gripais. O novo protocolo também deve determinar testes em profissionais de saúde, como já anunciado pelo governo.

A informação foi divulgada pela agência Reuters e confirmada pelo Estado com fontes do governo. O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), vinha se opondo a recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre testes em massa de casos suspeitos. "Do ponto de vista sanitário é um grande desperdício de recursos preciosos para nações", disse o ministro no último dia 17.

Estado apurou que o presidente Jair Bolsonaro cobrou a ampliação do número de testes. A vantagem para a economia de realizar maior número de exames seria um dos argumentos para mudança no protocolo. A leitura de pessoas do governo é de que, realizando o diagnóstico, pessoas com quadros leves da covid-19 poderiam retornar ao trabalho após 14 dias. Sem o exame, a mesma pessoa poderia ficar semanas em isolamento para evitar contágio pela doença, pois não saberia que já foi infectada.

O secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, disse no domingo, 22, que o governo recebeu testes da China, por meio de doação da mineradora Vale. A empresa informou que comprou 5 milhões de testes. “É um teste de uma empresa chinesa, com sensibilidade de 86,4%. Ainda não conhecemos o padrão desse teste no território brasileiro, e primeiro vamos fazer a validação do teste com os profissionais de saúde. Se o teste der positivo, os profissionais ficarão de quarentena, se der negativo ele volta ao trabalho”, explicou Oliveira. “Pensando numa escala de 30 mil a 50 mil exames por dia, teremos de colocar essas máquinas alinhadas quando chegarmos no pico da pandemia”, concluiu.

Segundo a mineradora, os testes rápidos permitem ter um resultado em apenas 15 minutos e foram comprados na China para serem entregues ao governo brasileiro. A empresa estima que uma primeira remessa de um milhão de kits seja entregue pelo fornecedor à Vale na China na próxima sexta-feira, dia 27, chegando ao Brasil no início da semana seguinte. Os quatro milhões de testes restantes têm entrega prevista pelo fornecedor chinês até meados de abril. Segundo a mineradora, a quantidade adquirida “representa metade das unidades que o Ministério da Saúde avalia necessitar neste momento”.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou nos últimos dias uso de 11 testes de diagnóstico de novo coronavírus no Brasil. Há, entre eles, modelos de teste rápido, que prometem diagnóstico em até 15 minutos, e formatos moleculares (PCR), que têm um alto grau de precisão. O Ministério da Saúde deve abrir ainda um chamado para que empresas que detêm estas tecnologias apresentam propostas de venda ao governo. A pasta já informou que deseja ter até 10 milhões de testes em mãos.

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