Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Ministério da Saúde busca soluções para aumentar produção de testes para novo coronavírus

Pasta vai abrir chamado para que empresas com tecnologias desenvolvidas para exames encaminhem propostas para avaliação

Ludimila Honorato, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2020 | 21h13

SÃO PAULO - O aumento do número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus no Brasil está mobilizando o Ministério da Saúde em buscar soluções para aumentar a produção de testes no País. Uma das alternativas é fazer uma chamada pública para que empresas com tecnologias desenvolvidas para exames enviem as propostas para avaliação, anunciou João Gabbardo, secretário-executivo da pasta, nesta terça-feira, 17.

Durante coletiva à imprensa, que pela primeira vez ocorreu sem a presença de jornalistas, com transmissão online, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que o ministério está trabalhando em outras soluções para aumentar a produção de kits de teste para a covid-19. "Conseguimos produzir na Fiocruz, mas estamos vendo como adotar outras estruturas de produção em alta escala para sermos autossuficientes", afirmou.

Mesmo após a primeira morte pelo novo coronavírus registrada no Brasil, de um homem de 62 anos em São Paulo, o Ministério da Saúde mantém o protocolo de priorizar os testes em pacientes internados, com casos graves da doença. O foco são as pessoas com síndrome respiratória aguda grave.

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Na segunda-feira, 16, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, defendeu que é preciso saber o número de infectados para determinar como combater o vírus. Para isso, seria preciso fazer testes no maior número possível de pessoas com suspeita de infecção, mas não é essa a conduta que vem sendo adotada no Brasil.

Já nesta terça-feira, durante a coletiva, a representante da Opas/OMS, Socorro Gross, disse que a capacidade mundial de testes para o novo coronavírus, neste momento, não é para todas as pessoas. "Neste momento, os países que estão com um, dois, três casos têm de continuar testando para fechar as cadeias [de transmissão]. O Brasil está fazendo o que é a recomendação da OMS: em caso de termos transmissão comunitária, temos de testar pessoas que têm síndrome respiratória aguda severa e que estão no hospital e população vulnerável, que são os idosos", explicou.

A pasta atualizou para 291 o número de casos confirmados do novo coronavírus no País, mas fazendo ressalvas. Gabbardo disse que 84% das pessoas com covid-19 não têm sintomas e, portanto, não são registradas como casos confirmados. Além disso, Mandetta reconhece que os números do ministério podem ser diferentes dos relatados pelos Estados devido ao horário de fechamento da contabilização.

Casos confirmados do novo cornavírus no Brasil por Estado

Amazonas: 1

Ceará: 5

Rio Grande do Norte: 1

Pernambuco: 16

Alagoas: 1

Sergipe: 4

Bahia: 3

Minas Gerais: 7

Espírito Santo: 1

Rio de Janeiro: 33

São Paulo: 164

Paraná: 6

Santa Catarina: 7

Rio Grande do Sul: 10

Mato Grosso do Sul: 4

Goiás: 6

Distrito Federal: 22

Disponibilização de leitos aos Estados

O ministro da Saúde disse que foi ordenado hoje o início da instalação, fisicamente, dos leitos de CTI adicionais nos Estados, que vão definir em quais hospitais colocarão os equipamentos. "A partir do momento que tiver necessidade, o Brasil está sistematicamente adquirindo leitos", afirmou Mandetta.

"Estamos monitorando, os Estados, todos eles, estão aumentando sua capacidade. Vamos precisar de muito mais, de muitos leitos para aqueles pacientes que não são graves o suficiente para CTI, mas não são leves o suficiente para estar em casa", acrescentou posteriormente. O ministro afirma que as cirurgias eletivas precisam ser interrompidas e "só fazer aquelas em que o risco seja muito alto de não fazer agora".

Porém, Mandetta disse que mais de 80% das pessoas infectadas pelo novo coronavírus "não vai necessitar de absolutamente nada a não ser orientação e antitérmico de uso pessoal, como dipirona e paracetamol".

Ele também comentou que a primeira paciente voluntária nos Estados Unidos testou uma possível vacina contra o novo coronavírus. "Vacinas não são fáceis, mas são a melhor solução para lidar com o vírus", disse. "Só teremos paz em relação a esse vírus quando tivermos uma vacina, porque se esse vírus continua e tem uma região que tenha sido menos afetada, não sabemos como esse vírus vai se comportar [em quem ainda não tem imunidade]."

O ministro afirmou que o País está chegando ao ponto de começar a se preparar para a telemedicina que, segundo ele, não ficará apenas na relação entre médicos e será padronizada no País. "[Dará] Suporte ao médico, atendimento à rede e diretamente ao cidadão. Vamos usar toda a potencialidade da telemedicina."

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