Ettore Ferrari/EFE
Ettore Ferrari/EFE

AO VIVO

Acompanhe notícias do coronavírus em tempo real

Ministério da Saúde confirma 1º caso de coronavírus; há 20 outros casos suspeitos

Medidas de controle e prevenção continuam as mesmas; os casos suspeitos estão espelhados em Paraíba (1 caso), Pernambuco (1), Espírito Santo (1), Minas Gerais (2), Rio de Janeiro (2), São Paulo (11) e Santa Catarina (2)

Mateus Vargas e Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2020 | 12h07
Atualizado 01 de abril de 2020 | 14h44

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde confirmou na manhã desta quarta-feira, 26, o primeiro caso de coronavírus no Brasil, como havia sido antecipado na terça, mas informou que as medidas adotadas de vigilância e controle devem continuar as mesmas que já vinham sendo adotadas, uma vez que o País já havia decretado estado de emergência em saúde pública de interesse nacional. Há outros 20 casos suspeitos.

Em coletiva à imprensa, o ministro Luiz Henrique Mandetta afirmou que neste momento está sendo feito um trabalho de mapeamento para identificar todos os passos e contatos deste primeiro paciente.

O homem, de 61 anos, ficou na Itália entre 9 e 20 de fevereiro. Ele chegou a São Paulo no dia 21 vindo de aeroporto Charles Charles de Gaulle, em Paris, sem sintomas, como tosse, febre ou gripe. No domingo, ele fez uma reunião familiar com 30 pessoas e foi quando começou a sentir os primeiros sintomas; na segunda-feira, 24, ele procurou o Hospital Albert Einstein.

“Em função do nexo com a Itália, o pronto-atendimento teve padrão de excelência. Coletou o material. E ao confirmar que era positivo, fizemos a contra-prova, por controle, mas já adotamos todas as medidas de prática de atenção da saúde”, afirmou Mandetta. O ministro elogiou a rapidez com que o Instituto Adolfo Lutz confirmou a contaminação em apenas algumas horas.

“Mudamos a definição de casos (para incluir mais países em que a origem seria suspeita de risco) às 17h30 da segunda e ele procurou o Einstein às 19h30”, disse Wanderson Kleber de Oliveira, da Secretaria de Vigilância em Saúde. Segundo ele, os 20 casos suspeitos estão espalhados por: Paraíba (1 caso), Pernambuco (1), Espírito Santo (1), Minas Gerais (2), Rio de Janeiro (2), São Paulo (11) e Santa Catarina (2). Já foram descartadas 59 suspeitas

Desses 20, 12 viajaram da Itália, 2 da Alemanha, 2 da Tailândia, um da China e um da França. Um dos casos suspeitos é por contato com o indivíduo que foi confirmado e outro por contato com um suspeito. "Isso mostra que tivemos velocidade para se adaptar as novas definições durante o carnaval. O sistema de saúde está em alerta total", afirmou Oliveira.

Procurada pelo Estado, a assessoria de imprensa da Latam divulgou pela manhã uma nota em que dizia que foi "notificada pela Anvisa sobre o caso mencionado" e tinha passado "informações solicitadas pelas autoridades competentes – incluindo os detalhes do voo, da tripulação e a lista oficial de passageiros". Pela tarde, a assessoria de imprensa retificou a informação e disse que "errou ao informar que a empresa foi notificada pela Anvisa sobre o tema". "A Latam reforça que não foi notificada pela Anvisa sobre esse caso."

Este é o primeiro caso na América Latina.  Segundo o ministro, a confirmação do primeiro caso aumenta a vigilância e os preparativos das autoridades para atendimento no País. “O status sanitário não muda porque já tínhamos adotados as medidas dias atrás. É uma síndrome gripal, mais grave nas pessoas de mais idade. Os jovens são muito poupados”, disse o ministro. 

“Entendo a preocupação da Itália, porque lá tem uma população de muitos idosos. Aqui vamos ver agora como o vírus vai se comportar em um país tropical, em pleno verão. É um vírus novo. É um vírus novo. Pode manter o padrão que já vem se apresentando no hemisfério norte e agora aqui no sul.”

De acordo com Mandetta, pessoas que estavam no mesmo voo que o paciente confirmado e sentados perto dele estão sendo contactadas pela Anvisa para que fiquem atentas a eventuais sintomas como tosse e febre. Caso apresentem esse quadro, mesmo que eles não tenham vindo dos países que estão sob alerta, devem se comunicar com as autoridades de saúde. São considerados de interesse os 16 passageiros que estavam nas duas fileiras da frente ou ao lado do passageiro. 

Pessoas que tiveram contato com o paciente também serão monitoradas. "A partir daí (da confirmação da contaminação) começa um trabalho de localização de quais são os contatos que ele teve. Contatos próximos, como a esposa, e os eventuais, que são as pessoas que ficaram em alguns momentos com esse paciente", afirmou em entrevista na qual detalhou como foi feita a identificação.

Todos que tiveram na reunião familiar no domingo já estão sendo procurados. Mandetta divide os suspeitos entre os com contato próximo, como a esposa, que vive com ele, e os de contato eventual. Ele estima que podem chegar a 60 pessoas o total que serão contactadas. Isso não significa, porém, que todos podem ter contraído a doença. Em média, no mundo, cada pessoa que foi infectada contaminou somente outras 2 ou 3, pontuou o secretário-executivo da pasta, João Gabbardo dos Reis. 

Cuidados

Após a confirmação, o Ministério da Saúde reforçou medidas anteriormente anunciadas pela pasta. Entre as ações, estão aquisição de máquinas e insumos para unidades de saúde, aluguel de 1 mil leitos de cuidado intensivo caso haja necessário e orientação em aeroportos. 

"Com certeza vamos passar por essa situação aguardando, com investimento em pesquisa, ciência e clareza de informação. A população terá todas as informações que sejam necessárias para que cada um se organize e tome as devidas precauções", disse Mandetta. 

Lavar as mãos constantemente continuam sendo as medidas mais indicadas para se prevenir. Quem sentir os sintomas deve usar máscaras e evitar andar em transporte público. 

Mandetta afastou a possibilidade de fechar fronteiras ou restringir a entrada e saída de pessoas no Brasil após a confirmação do primeiro caso de coronavírus no País. "Não tem como bloquear as pessoas. Isso não tem eficácia", disse. As ações estarão voltadas para a orientação de pessoas que viajaram para países com casos monitorados da doença. 

"Mundo não tem fronteira. Perguntaram: Por que não fecha? Não tem eficácia isso aí. É uma gripe, mais uma que o mundo terá de enfrentar", enfatizou Mandetta. 

Questionado sobre se brasileiros deveriam cancelar viagens para locais onde está ocorrendo a transmissão da doença, Mandetta disse que “vale a regra do bom senso”. Para ele, se a viagem não for necessária, dá para esperar para ver como a situação vai se comportar. “Mas não podemos parar a vida porque há uma gripe, uma síndrome respiratória. Daqui a pouco o Brasil pode ter casos (de transmissão) sustentados e aí tanto faz estar aqui ou lá”, disse o ministro.

Para ele, quem tiver realmente necessidade de ir, vá com os cuidados de higiene recomendados. “Sabendo que é uma gripe e que na grande maioria dos casos, os que pegam evoluem muito bem, obrigado e saem depois e vivem sua vida como se nada tivesse acontecido.” Ele defende que o que ocorre é uma "infodemia", epidemia de informações que estão gerando "ansiedade e insegurança."

Com o anúncio no Brasil e um caso na Argélia, a doença já está nos cinco continentes. “Logo mais o Organização Mundial da Saúde deve anunciar pandemia, aí não tem mais nexo de origem. A trasmissão passa a ser sustentado. Mas hoje ter essa lista ainda nos ajuda a construir raciocínio de vínculo epidemiólogico quando chegam os casos suspeitos.”

No mundo, os dados apontam para 80.239 casos confirmados e 2.700 mortes, ou seja, um índice de letalidade de 3,4%. Fora da China, o porcentual é de 1,4%. 

Oliveira afirmou que há uma tendência de estabilização dos casos na China, onde teve início a epidemia, e um "número expressivo de pessoas se recuperando da doença".

Insumos chineses

Mandetta manifestou preocupação com uma possível redução no fornecimento de insumos do setor de saúde produzidos na China. A epidemia do novo coronavírus aumentou a demanda por materiais como imunoglobulina e máscaras no país asiático, epicentro da doença e ao mesmo tempo fornecedor desses produtos para o resto do mundo. 

"(A situação) preocupa porque o mundo passou a ter a China como supplier (fornecedor). Estamos trabalhando como nossa indústria para que se possa abastecer", disse. A imunoglobulina, destacou, é um dos fatores de preocupação, mas há fornecedores em outros países para os quais o País pode recorrer.

No caso de máscaras, há uma forte demanda na própria China, o que poderia comprometer o abastecimento do produto em outros países. "Estamos vendo como abastecer com sustentabilidade o nosso país", declarou Mandetta. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.