Ministério da Saúde confirma 1º caso de coronavírus; há 20 outros casos suspeitos

Medidas de controle e prevenção continuam as mesmas; os casos suspeitos estão espelhados em Paraíba (1 caso), Pernambuco (1), Espírito Santo (1), Minas Gerais (2), Rio de Janeiro (2), São Paulo (11) e Santa Catarina (2)

Mateus Vargas e Daniel Weterman - O Estado de S.Paulo

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BRASÍLIA - O Ministério da Saúde confirmou na manhã desta quarta-feira, 26, o primeiro caso de coronavírus no Brasil, como havia sido antecipado na terça, mas informou que as medidas adotadas de vigilância e controle devem continuar as mesmas que já vinham sendo adotadas, uma vez que o País já havia decretado estado de emergência em saúde pública de interesse nacional. Há outros 20 casos suspeitos.

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Em coletiva à imprensa, o ministro Luiz Henrique Mandetta afirmou que neste momento está sendo feito um trabalho de mapeamento para identificar todos os passos e contatos deste primeiro paciente.

Turistas usam máscars em visita a Roma; a Itália já registrou 11 mortes pelo coronavírus.  Foto: Ettore Ferrari/EFE

O homem, de 61 anos, ficou na Itália entre 9 e 20 de fevereiro. Ele chegou a São Paulo no dia 21 vindo de aeroporto Charles Charles de Gaulle, em Paris, sem sintomas, como tosse, febre ou gripe. No domingo, ele fez uma reunião familiar com 30 pessoas e foi quando começou a sentir os primeiros sintomas; na segunda-feira, 24, ele procurou o Hospital Albert Einstein.

“Em função do nexo com a Itália, o pronto-atendimento teve padrão de excelência. Coletou o material. E ao confirmar que era positivo, fizemos a contra-prova, por controle, mas já adotamos todas as medidas de prática de atenção da saúde”, afirmou Mandetta. O ministro elogiou a rapidez com que o Instituto Adolfo Lutz confirmou a contaminação em apenas algumas horas.

“Mudamos a definição de casos (para incluir mais países em que a origem seria suspeita de risco) às 17h30 da segunda e ele procurou o Einstein às 19h30”, disse Wanderson Kleber de Oliveira, da Secretaria de Vigilância em Saúde. Segundo ele, os 20 casos suspeitos estão espalhados por: Paraíba (1 caso), Pernambuco (1), Espírito Santo (1), Minas Gerais (2), Rio de Janeiro (2), São Paulo (11) e Santa Catarina (2). Já foram descartadas 59 suspeitas

Desses 20, 12 viajaram da Itália, 2 da Alemanha, 2 da Tailândia, um da China e um da França. Um dos casos suspeitos é por contato com o indivíduo que foi confirmado e outro por contato com um suspeito. "Isso mostra que tivemos velocidade para se adaptar as novas definições durante o carnaval. O sistema de saúde está em alerta total", afirmou Oliveira.

Procurada pelo Estado, a assessoria de imprensa da Latam divulgou pela manhã uma nota em que dizia que foi "notificada pela Anvisa sobre o caso mencionado" e tinha passado "informações solicitadas pelas autoridades competentes – incluindo os detalhes do voo, da tripulação e a lista oficial de passageiros". Pela tarde, a assessoria de imprensa retificou a informação e disse que "errou ao informar que a empresa foi notificada pela Anvisa sobre o tema". "A Latam reforça que não foi notificada pela Anvisa sobre esse caso."

Este é o primeiro caso na América Latina.  Segundo o ministro, a confirmação do primeiro caso aumenta a vigilância e os preparativos das autoridades para atendimento no País. “O status sanitário não muda porque já tínhamos adotados as medidas dias atrás. É uma síndrome gripal, mais grave nas pessoas de mais idade. Os jovens são muito poupados”, disse o ministro. 

Medo do coronavírus faz pessoas saírem enroladas em plástico

1 | 13 Uma pessoa improvisa máscara com uma garrafa plástica. Foto: Anthony Wallace/AFP
2 | 13 Passageira usa máscara, capa plástica e sacos envelopando os pés em uma estação de trem, em Pequim. Foto: Wu Hong/EFE
3 | 13 Mãe protege o filho com um plástico sobre o guarda-chuva. Foto: Wu Hong/EFE
4 | 13 Pessoa colocou sacos plásticos na cabeça e nas mãos enquanto manuseia o celular. Foto: Wu Hong/EFE
5 | 13 Preocupação com a doença faz as pessoas improvisarem na proteção em Pequim. Foto: Wu Hong/EFE
6 | 13 Pessoas tentam retomar a rotina, mas a máscara virou acessório obrigatório. Foto: Noel Celis/AFP
7 | 13 Uma mãe coloca um saco que protege ela e o bebê para sair de casa.  Foto: Aly Song/Reuters
8 | 13 Uma mulher usa uma capa junto com a máscara. A epidemia de coronavírus na China aumentou o medo de contaminação das pessoas. Foto: Andy Wong/AP
9 | 13 As máscaras tomam conta da paisagem no epicentro do coronavírus. Foto: AFP
10 | 13 Casal vai às compras em Wuhan, epicentro do coronavírus. Foto: Shepherd Zhou/EFE
11 | 13 Caixas atendem clientes com roupa e máscara de proteção em Shenyang. Foto: AFP
12 | 13 Em Xangai, homem usa máscara e uma espécie de viseira para ampliar a proteção. Foto: Aly Song/Reuters
13 | 13 Traders do mercado financeiro usam máscaras no trabalho. Foto: Reuters

“Entendo a preocupação da Itália, porque lá tem uma população de muitos idosos. Aqui vamos ver agora como o vírus vai se comportar em um país tropical, em pleno verão. É um vírus novo. É um vírus novo. Pode manter o padrão que já vem se apresentando no hemisfério norte e agora aqui no sul.”

De acordo com Mandetta, pessoas que estavam no mesmo voo que o paciente confirmado e sentados perto dele estão sendo contactadas pela Anvisa para que fiquem atentas a eventuais sintomas como tosse e febre. Caso apresentem esse quadro, mesmo que eles não tenham vindo dos países que estão sob alerta, devem se comunicar com as autoridades de saúde. São considerados de interesse os 16 passageiros que estavam nas duas fileiras da frente ou ao lado do passageiro. 

Pessoas que tiveram contato com o paciente também serão monitoradas. "A partir daí (da confirmação da contaminação) começa um trabalho de localização de quais são os contatos que ele teve. Contatos próximos, como a esposa, e os eventuais, que são as pessoas que ficaram em alguns momentos com esse paciente", afirmou em entrevista na qual detalhou como foi feita a identificação.

Todos que tiveram na reunião familiar no domingo já estão sendo procurados. Mandetta divide os suspeitos entre os com contato próximo, como a esposa, que vive com ele, e os de contato eventual. Ele estima que podem chegar a 60 pessoas o total que serão contactadas. Isso não significa, porém, que todos podem ter contraído a doença. Em média, no mundo, cada pessoa que foi infectada contaminou somente outras 2 ou 3, pontuou o secretário-executivo da pasta, João Gabbardo dos Reis. 

Cuidados

Após a confirmação, o Ministério da Saúde reforçou medidas anteriormente anunciadas pela pasta. Entre as ações, estão aquisição de máquinas e insumos para unidades de saúde, aluguel de 1 mil leitos de cuidado intensivo caso haja necessário e orientação em aeroportos. 

"Com certeza vamos passar por essa situação aguardando, com investimento em pesquisa, ciência e clareza de informação. A população terá todas as informações que sejam necessárias para que cada um se organize e tome as devidas precauções", disse Mandetta. 

Lavar as mãos constantemente continuam sendo as medidas mais indicadas para se prevenir. Quem sentir os sintomas deve usar máscaras e evitar andar em transporte público. 

Mandetta afastou a possibilidade de fechar fronteiras ou restringir a entrada e saída de pessoas no Brasil após a confirmação do primeiro caso de coronavírus no País. "Não tem como bloquear as pessoas. Isso não tem eficácia", disse. As ações estarão voltadas para a orientação de pessoas que viajaram para países com casos monitorados da doença. 

"Mundo não tem fronteira. Perguntaram: Por que não fecha? Não tem eficácia isso aí. É uma gripe, mais uma que o mundo terá de enfrentar", enfatizou Mandetta. 

Questionado sobre se brasileiros deveriam cancelar viagens para locais onde está ocorrendo a transmissão da doença, Mandetta disse que “vale a regra do bom senso”. Para ele, se a viagem não for necessária, dá para esperar para ver como a situação vai se comportar. “Mas não podemos parar a vida porque há uma gripe, uma síndrome respiratória. Daqui a pouco o Brasil pode ter casos (de transmissão) sustentados e aí tanto faz estar aqui ou lá”, disse o ministro.

Para ele, quem tiver realmente necessidade de ir, vá com os cuidados de higiene recomendados. “Sabendo que é uma gripe e que na grande maioria dos casos, os que pegam evoluem muito bem, obrigado e saem depois e vivem sua vida como se nada tivesse acontecido.” Ele defende que o que ocorre é uma "infodemia", epidemia de informações que estão gerando "ansiedade e insegurança."

Com o anúncio no Brasil e um caso na Argélia, a doença já está nos cinco continentes. “Logo mais o Organização Mundial da Saúde deve anunciar pandemia, aí não tem mais nexo de origem. A trasmissão passa a ser sustentado. Mas hoje ter essa lista ainda nos ajuda a construir raciocínio de vínculo epidemiólogico quando chegam os casos suspeitos.”

Coronavírus pelo mundo

1 | 21 No Vaticano, Papa Francisco cumprimenta com beijos e abraços os fiéis que o aguardam usando máscaras faciais, enquanto Itália confirma 11 mortes pelo coronavírus  Foto: EFE/EPA/MAURIZIO BRAMBATTI
2 | 21 Motorista de táxi dirige envolto em capa de plástico enquanto coronavírus se espalha pela China  Foto: Hector RETAMAL / AFP
3 | 21 Funcionários desinfetam interior de igreja católica em Seul, na Coreia do Sul, onde mais de 200 mil fiéis são testados por sintomas do coronavírus Foto: YONHAP / AFP
4 | 21 Agentes do governo iraniano desinfetam trens do metrô em Teerã, no Irã Foto: AP Photo/Ebrahim Noroozi
5 | 21 Foliões se divertem com fantasias de coronavírus durante o festival Mardi Grass, em Nova Orleans, nos EUA  Foto: Max Becherer/The Advocate via AP
6 | 21 Bolsa de Tóquio caiu 0,79% nesta quarta-feira, 26, refletindo efeitos do coronavírus, enquanto acionistas usam máscaras para fugir do vírus  Foto: EFE/EPA/KIMIMASA MAYAMA
7 | 21 Nas Filipinas, fiéis atendem missa com máscaras faciais  Foto: REUTERS/Eloisa Lopez
8 | 21 Agente de esquadrão emergencial anti-epidemias desinfetam carros de trem no distrito de Mangyongdae, na Coreia do Norte  Foto: AP Photo/Jon Chol Jin
9 | 21 Cidadãos da Indonésia chegam ao navio-hospital KRI Dr. Soeharso após serem evacuados de embarcação com suspeita de coronavírus  Foto: Indonesian National Armed Forces / Reuters
10 | 21 No Kuwait, crianças comemoram o Dia Nacional e Dia da Liberação com máscaras faciais, após governo local ter identificado nove pessoas infectadas pelo coronavírus  Foto: EFE/EPA/NOUFAL IBRAHIM
11 | 21 Na cidade de Herat, no Afeganistão, pessoas circulam com máscaras faciais após primeira pessoas infectada pelo coronavírus ter sido identificada no país  Foto: EFE/EPA/JALIL REZAYEE
12 | 21 No Japão, pessoas passeiam pelas ruas com máscaras faciais em meio às preparações do país para as Olimpíadas de 2020  Foto: REUTERS/Athit Perawongmetha
13 | 21 Na cidade de Gangelt, na Alemanha, creches e escolas estão fechadas após homem ter sido anunciado como o primeiro paciente positivo para o coronavírus no país  Foto: EFE/EPA/SASCHA STEINBACH
14 | 21 Policiais se protegem do coronavírus com máscaras durante expediente em área de turismo das Ilhas Canárias, na Espanha  Foto: AP Photo
15 | 21 Na Coreia do Norte, pessoas andam pelas ruas de Pyongyang com máscaras faciais  Foto: AP Photo/Jon Chol Jin
16 | 21 Escola católica é desinfetada por agentes do governo tailandês após estudante ter sido testado como positivo para o coronavírus  Foto: EFE/EPA/RUNGROJ YONGRIT
17 | 21 Estudantes universitários protestam contra epidemia do coronavírus na Tailândia  Foto: Mladen ANTONOV / AFP
18 | 21 Nas ruas de Milão, jovens ocupam praça enquanto usam máscaras faciais e número de mortes por coronavírus chega a 11 vítimas fatas no país  Foto: EFE/ Mourad Balti Touati
19 | 21 Em hospital do Paquistão, médicos e funcionários usam máscaras facuaus após confirmação de casos do coronavírus em países vizinhos como Afeganistão e Irã  Foto: EFE/EPA/JAMAL TARAKAI
20 | 21 Manifestantes de oposição ao governo protestam no Iraque usando máscaras faciais enquanto país confirmou primeira caso do coronavírus nesta semana 
21 | 21 Em Seul, na Coreia do Sul, ônibus são desinfetados para conter epidemia do coronavírus no país, onde 12 pessoas já morreram pela doença  Foto: EFE/EPA/JEON HEON-KYUN

No mundo, os dados apontam para 80.239 casos confirmados e 2.700 mortes, ou seja, um índice de letalidade de 3,4%. Fora da China, o porcentual é de 1,4%. 

Oliveira afirmou que há uma tendência de estabilização dos casos na China, onde teve início a epidemia, e um "número expressivo de pessoas se recuperando da doença".

Insumos chineses

Mandetta manifestou preocupação com uma possível redução no fornecimento de insumos do setor de saúde produzidos na China. A epidemia do novo coronavírus aumentou a demanda por materiais como imunoglobulina e máscaras no país asiático, epicentro da doença e ao mesmo tempo fornecedor desses produtos para o resto do mundo. 

"(A situação) preocupa porque o mundo passou a ter a China como supplier (fornecedor). Estamos trabalhando como nossa indústria para que se possa abastecer", disse. A imunoglobulina, destacou, é um dos fatores de preocupação, mas há fornecedores em outros países para os quais o País pode recorrer.

No caso de máscaras, há uma forte demanda na própria China, o que poderia comprometer o abastecimento do produto em outros países. "Estamos vendo como abastecer com sustentabilidade o nosso país", declarou Mandetta. 

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