Arte sobre foto de Alissa Eckert, MS; Dan Higgins, MAM/CDC/via REUTERS
Arte sobre foto de Alissa Eckert, MS; Dan Higgins, MAM/CDC/via REUTERS

Ministério da Saúde confirma mais 679 óbitos pelo novo coronavírus

Houve ainda o diagnóstico de 15.654 novos casos de infecção e agora são 707.412 no total

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2020 | 19h02

O Ministério da Saúde confirmou novos 679 óbitos pelo coronavírus nesta segunda-feira, 8, totalizando 37.134 vítimas da doença. No mesmo período, houve o diagnóstico de 15.654 novos casos de infecção e agora são 707.412 no total. O Brasil é o terceiro país com mais mortes no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e do Reino Unido

Na semana passada, a gestão Jair Bolsonaro vinha divulgando os números de casos e mortes por coronavírus por volta das 22 horas e ainda sinalizou que faria uma recontagem das vítimas. A postura do governo federal motivou críticas de gestores da área de saúde, cientistas e parlamentares sobre falta de transparência do ministério. Nesta segunda-feira, os dados foram divulgados em coletiva de imprensa, pouco antes das 18h.

Em resposta à decisão do governo Jair Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia de covid-19, os veículos de comunicação formaram uma parceria para trabalhar de forma colaborativa para buscar as informações necessárias nos 26 Estados e no Distrito Federal. Participam da iniciativa O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, O Globo, Extra, G1 e UOL, que divulgarão os novos números de óbitos às 20h. 

Segundo o Estadão mostrou nesta segunda, a mudança na divulgação foi feita a pedido de Bolsonaro. O presidente exigiu para a equipe que o balanço tivesse menos de mil novas mortes por dia

Segundo especialistas, ter transparência e qualidade na divulgação dos dados sobre infecções e mortes em decorrência da covid-19 é fundamental para compreender a evolução da pandemia. É isso que mostra onde novos casos estão surgindo, onde a epidemia ainda está em curva ascendente e onde está arrefecendo. Sem clareza e segurança sobre esses números, apontam cientistas, é impossível tomar decisões sobre quais lugares precisam de reforço para a abertura de leitos de UTI, a oferta de respiradores ou mesmo em quais é possível iniciar os movimentos de abertura do isolamento social.

O Ministério da Saúde disse que voltará a divulgar os números de infectados e mortos no País às 18h. Nesta segunda-feira, 8, o boletim foi divulgado pouco após este horário, durante entrevista no Palácio do Planalto, mas ainda assim de forma incompleta - faltaram informações de ao menos três Estados e do Distrito Federal.

A mudança ocorre após o Ministério da Saúde retardar, por quatro dias seguidos, a apresentação de balanços diários da pandemia, que passou a ser feita por volta das 22h. Antes, estes dados costumavam sair por volta das 19h. A pasta também omitiu a soma das mortes totais ocorridas no País e chegou a tirar do ar o portal em que mantém o histórico de informações sobre a doença no País.

Segundo o secretário-executivo do ministério, coronel Elcio Franco, o motivo das mudanças foram "técnicos".  "Estamos numa análise de melhoria de processos. Precisamos da alimentação dos dados por parte de Estados e municípios", afirmou Franco. "Não houve interferência de ordem alguma nesse trabalho, que é de ordem técnica."

Questionado três vezes se Bolsonaro cobrou a mudança na metodologia, Franco disse que não houve interferência "de forma alguma" e que problemas técnicos retiraram o painel de dados do ar. Segundo Franco, a forma anterior de divulgação estava focada pelo "viés epidemiológico". "Nós procuramos melhorar a forma de comunicação de modo a atender população em geral, gestores", disse.

O secretário substituto de Vigilância, Eduardo Macário, afirmou que o governo não está minimizando os dados da doença no Brasil "nem tentando colocar nenhum tipo de questão relacionado à ocorrência de casos e óbitos. Pelo contrário, a gente quer comunicar da melhor forma possível", afirmou.

 

Partidos da oposição e a Defensoria Pública da União (DPU) chegaram a ir à Justiça para reverter o atraso e omissão de dados. O Ministério Público Federal abriu procedimento extrajudicial para apurar o atraso e a omissão na divulgação de dados sobre o novo coronavírus no País.

O Ministério da Saúde promete divulgar os dados em uma "plataforma interativa", a ser lançada nesta semana, destacando casos por data de ocorrência, em vez da confirmação do registro da morte.  A ideia é mostrar quantos óbitos ocorreram no dia da divulgação, ainda que este dado se altere posteriormente pela confirmação dos casos que estavam em análise.

O padrão internacional é diferente. Os países tem apontado quantos óbitos foram confirmados na data, mesmo que tenham acontecido semanas atrás.  Segundo técnicos do ministério, após repercussão negativa, a ideia não é esconder óbitos de dias anteriores, mas destacar apenas os que ocorreram e foram confirmados nas últimas 24 horas. Segundo Macário, ainda que a forma de divulgação mude, não serão omitidos dados de outros dias. / COLABOROU MATEUS VARGAS

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