Ministério da Saúde confirma oitava morte por febre amarela

O lavrador João Batista Gonçalves trabalhava em uma fazenda no interior de Goiás e não estava vacinado

Leonencio Nossa, da Agência Estado,

19 de janeiro de 2008 | 15h15

Mais um caso de morte por febre amarela foi confirmado neste sábado, 19, pela Vigilância Sanitária, órgão do Ministério da Saúde. O lavrador João Batista Gonçalves, de 31 anos, que trabalhava numa fazenda em Uruaçu, região norte de Goiás, é a oitava pessoa vítima da doença neste ano no País. Morto no dia 4 de janeiro, ele não tinha sido vacinado, segundo as autoridades sanitárias. Veja também:  Entenda o que é a doença e veja as áreas em risco O Instituto Evandro Chagas, de Belém, analisa outros casos de mortes que podem ter sido causadas por febre amarela. Iraides Ribeiro, 42 anos, de Cristianópolis, em Goiás, morta na última sexta-feira em Goiânia é um dos casos analisados. O resultado dos exames que podem comprovar a doença só deve sair no próximo final de semana. Até o momento, as autoridades sanitárias confirmaram 12 casos de pessoas com febre amarela, sendo que oito morreram. As mortes aconteceram em Brasília (duas), Goiás (quatro) e Paraná (uma). Os moradores da capital federal mortos, Antônio Rates, 44 anos, e Graco Carvalho, 38 anos, teriam contraído a doença em viagens a cidades goianas. Há ainda sete casos suspeitos que estão sendo analisados pelo Instituto Evandro Chagas. Os números de mortes ultrapassam o total de registros de 2007. Superdosagem Na sexta-feira, o Ministério da Saúde informou que 31 pessoas já sofreram efeitos adversos causados pela vacina contra a febre amarela relacionados a superdosagem - recebimento de mais de uma dose em curto período de tempo. Duas pessoas estão em estado grave. A pasta não informou os locais onde foram registrados os casos e disse que não teria nenhum representante para falar sobre a situação. Nos últimos dias, houve uma corrida a postos de vacinação em todo o País, até mesmo de pessoas que já estavam imunizadas - a vacina vale por dez anos.Em nota, o ministério informou que "a recomendação é que devem se vacinar apenas as pessoas residentes em locais de risco ou que pretendam viajar para essas regiões, caso não tenham recebido sua imunização desde 1999". Repetir a dose poderia causar reações como febre, dor de cabeça, vômito, enrijecimento dos músculos e problemas neurológicos. Desde 1999, foram registrados pelo menos três casos de morte de pessoas que receberam a vacina da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), segundo informações da própria bula do produto. Até 5% dos vacinados também podem ter reações como febre e dor de cabeça. A vigilância sobre efeitos adversos da vacina começou a ser feita em 1998. Os casos de reações graves acabaram por suspender uma estratégia de vacinar toda a população contra a febre amarela no País. O Ministério da Saúde determinou que, para atender à alta demanda interna, a produção de vacinas contra a febre amarela deve ser duplicada neste ano, chegando a 30 milhões de doses.

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