Ministério da Saúde estuda deslocar profissionais do Mais Médicos para vagas deixadas por cubanos

A estratégia será colocada em prática caso haja dificuldade de preencher postos, sobretudo em regiões mais afastadas e em cidades que contam com um número muito reduzido de profissionais

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

26 Novembro 2018 | 19h58

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde quer deslocar profissionais que já atuam no Mais Médicos para cobrir vagas atualmente ocupadas por cubanos. A estratégia, apresentada nesta segunda-feira, 26, pelo ministro Gilberto Occhi, será colocada em prática caso haja dificuldade de preencher postos, sobretudo em regiões mais afastadas e em cidades que contam com um número muito reduzido de profissionais. A estimativa  é que 600 cidades poderiam ficar sem nenhum profissional caso as vagas ocupadas por médicos cubanos não sejam preenchidas.

Edital  aberto semana passada para repor 8.517 postos no Mais Médicos teve uma adesão maciça de brasileiros: 21.407 já foram efetivados e 8.278 escolheram os postos de trabalho. Com isso, 97,2% das vagas já foram preenchidas. Ainda de acordo com o ministério, 224 médicos já se apresentaram para o trabalho.

Como o Estado apontou, embora a adesão tenha sido bastante significativa, secretários de saúde temem que médicos brasileiros não compareçam ao local de trabalho ou que desistam em pouco tempo da atuação. O ministério, por sua vez, também prepara um plano B, caso esse cenário se concretize.  “São hipóteses que somente vamos trabalhar depois do dia 7”, disse o ministro da Saúde, numa referência ao último dia de inscrição do edital.

Terminado o prazo, se necessário, serão publicados novos editais. A preferência, na próxima rodada, será dada ainda para profissionais brasileiros, disse o ministro.

Neste edital, 9.327 pessoas se inscreveram mas não tiveram seus dados efetivados. O número é maior do que os profissionais que tiveram dados validados. O ministro, no entanto, avaliou esses números com naturalidade e atribuiu à inconsistências no preenchimento de nomes ou outras informações.

Occhi também desconversou sobre as investigações realizadas sobre a suspeita de invasão no sistema de inscrição, ocorrida depois do grande número de acessos, logo nas primeiras horas da inscrição. Por causa da instabilidade no sistema, o prazo para inscrição de brasileiros foi ampliado e o edital para médicos estrangeiros, adiado de forma indefinida. “Houve uma tentativa, mas ela não se concretizou”, disse.

O ministro afirmou que profissionais que já se inscreveram no edital do Mais Médicos e escolheram o local para atuação já podem se apresentar para o trabalho. Mesmo na hipótese de ali ainda estar atuando algum profissional recrutado pela cooperação com a Organização Pan-Americana de Saúde e governo cubano. Semana passada, Cuba rompeu o acordo, numa reação às declarações feitas pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro ao programa e a intenção de reformular seus termos.

Mais conteúdo sobre:
Mais Médicossaúde pública

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.