Rovena Rosa/Agência Brasil
Rovena Rosa/Agência Brasil

Ministério da Saúde faz campanha para doação de leite materno; Confira recomendações para lactantes

Brasil registrou uma redução de 5% na doação de leite materno para recém-nascidos nos primeiros quatro meses do ano

Julia Lindner, Brasília

19 de maio de 2020 | 19h53

BRASÍLIA - Em meio à pandemia do novo coronavírus, o Brasil registrou uma redução de 5% na doação de leite materno para recém-nascidos nos primeiros quatro meses do ano. Diante do cenário, o Ministério da Saúde lançou a campanha "Doe leite materno - Nessa corrente pela vida, cada gota faz diferença"

O objetivo é reforçar a necessidade de lactantes saudáveis manterem a recomposição dos bancos de leite para garantir a alimentação de bebês prematuros ou de baixo peso que estão internados e não podem ser amamentados diretamente nos seios das mães.

Segundo o Ministério da Saúde, entre janeiro e abril de 2019, foram 61.146 doadoras de leite materno. Este ano, no mesmo período, o número caiu para 58.155.

A doação só deve ser feita por mulheres saudáveis. Aquelas com sintomas de gripe ou que moram com alguém que apresenta sintomas da doença não devem doar. Além disso, a recomendação é que a doação em postos de coleta seja agendada para evitar aglomerações.

Outra orientação é que mãe e filho sejam mantidos, preferencialmente, em quartos exclusivos. Também é sugerido que haja distância mínima de um metro entre o berço do recém nascido e da mãe. Antes e depois da amamentação, a mãe deve usar máscara cirúrgicas, além de higienizar as mãos. Com esses cuidados, o Ministério da Saúde considera que é possível manter as doações com segurança.

De acordo com o Ministério da Saúde, dependendo do peso do bebê, um mililitro de leite é suficiente para nutrir um recém-nascido a cada refeição. Cada pote de 300 ml de leite humano pode ajudar até 10 recém-nascidos. "Qualquer gosta de leite vai fazer a diferença na vida dos bebês", diz a Secretária substituta de Atenção Primária à Saúde, Daniela Ribeiro

Nesta terça-feira, a secretária Daniela Ribeiro também esclareceu outras dúvidas sobre gestantes e lactantes durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto.

O pote de doação de leite materno precisa estar cheio?

Não. O pote não precisa estar cheio para ser levado ao Banco de Leite Humano.

Qual a orientação para lactantes que são infectadas? Existe possibilidade de transmissão da doença ou de anticorpos da mãe para a criança?

Não há evidência sobre a transmissão através da amamentação. O MS considera prudente manter a recomendação da doação do leite humano somente por lactantes saudáveis e sem contato domiciliar.

O Ministério da Saúde recomenda que lactantes sejam afastadas do trabalho devido ao risco de contaminação? Recomenda que seja priorizado teletrabalho para essas mães?

O MS já publicou nota colocando quais são as pessoas consideradas como pessoas de risco. Cabe também ao trabalhador, às lideranças estaduais e municipais a terem regras e regimentos internos que possam fazer esse direcionamento. No caso das gestantes, elas são, sim, consideradas de risco e a orientação é que se faça o teletrabalho.

O Brasil registrou redução na doação de leite materno. Existe orientação ou cuidado para quem quer doar leite?

A orientação é manter amamentação. Manter preferencialmente a mãe e o filho juntos em quartos exclusivos. Manter uma distância mínima do berço do recém nascido e da mãe de pelo menos um metro. Orientar sobre higienização das mãos imediatamente após tocar o nariz, a boca, e sempre antes do cuidado com o RN. Orientar uso de máscara cirúrgicas durante o cuidado e amamentação.

A redução na doação de leite materno tem relação com a pandemia? Acreditam que há alguma resistência ou medo das mães?

Sim. Por isso a importância dessa campanha, é uma campanha que vem para sensibilizar mães e profissionais de saúde e gestantes. Nas UTIs, têm os bebês que estão precisando do leite. Sem recomposição de leite, são vidas de crianças.

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