Ministério da Saúde faz compra de remédio sem registro

Governo gastou R$ 52,47 milhões com medicamento para tratar pacientes com problema genético raro

AE, Agência Estado

24 de agosto de 2010 | 11h57

O Ministério da Saúde gastou R$ 52,47 milhões na compra de um medicamento sem registro nos Estados Unidos e na Europa para tratar pacientes com doença de Gaucher, um problema genético raro que, se não tratado, pode levar à morte. A transação, concluída na semana passada, foi justificada pelo governo federal como a única maneira de driblar os problemas de abastecimento enfrentados com a droga usada tradicionalmente, fabricada pela farmacêutica Genzyme.

Foram adquiridos 54,4 mil frascos do remédio, chamado de taliglucerase alfa, produzido pela Pfizer e em processo de registro nos EUA. Para que a compra pudesse ser feita, a pasta solicitou uma licença de importação emergencial da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A liberação foi feita depois da análise de documentos da chamada fase clínica 3, quando são realizados testes de medicamentos em pacientes. A pesquisa apresentada para avaliação da Anvisa acompanhou um grupo de 31 pessoas com o problema.

A doença de Gaucher é provocada por uma falha no metabolismo de gorduras. Pacientes com essa disfunção não conseguem processar corretamente as gorduras, que vão se acumulando nas células. Quando não é tratada, a doença provoca anemia, sangramento, manchas roxas e problemas no fígado e no baço. No Brasil, 610 pacientes recebem o medicamento.

Defesa

"A compra somente foi realizada depois de a Genzyme informar que não teria condições de atender a demanda do País", afirmou o diretor de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde, José Miguel do Nascimento Júnior. Os estoques existentes atualmente são suficientes para atender a demanda até a primeira quinzena de setembro.

Os problemas de fornecimento do medicamento começaram em junho, quando a fábrica da Genzyme apresentou contaminação viral nos equipamentos. Desde então, prazos para entrega do remédio, usado há mais de dez anos, foram alterados. Nascimento Júnior diz que, quando as negociações com a Pfizer começaram, a pasta foi procurada pela Genzyme, que ofertou o produto com prazo de entrega que não atendia às necessidades do País. A transação com a Pfizer será suficiente para atender uma demanda de quatro meses. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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