WERTHER SANTANA/ESTADÃO
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Ministério da Saúde identifica 39 casos de covid-19 potencialmante anteriores ao 1º registro oficial

Os casos estão em apuração; segundo a pasta, data de registro pode ter tido "erro de digitação"

Fernanda Boldrin e Ludimila Honorato, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2020 | 21h31

SÃO PAULO - O Ministério da Saúde identificou, no sistema de informação nacional,  39 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) confirmados para o novo coronavírus que teriam ocorrido antes de 26 de fevereiro, data oficial do primeiro caso de covid-19 registrado no País. A informação foi dada pelo secretário substituto de Vigilância em Saúde, Eduardo Macário, em coletiva de imprensa nesta terça-feira, 12. O secretário ressaltou, no entanto, que esses dados estão sendo investigados, uma vez que podem ser apenas reflexos de “erros de digitação”. 

Segundo os registros oficiais da pasta até o momento, o Brasil confirmou o primeiro caso do novo coronavírus no dia 26 de fevereiro. O paciente, um homem de 61 anos, residente em São Paulo, tinha histórico de viagem para a Itália.

Com a identificação dos supostos casos anteriores a esse, Macário afirmou que o ministério enviou, nesta terça,ofícios para os Estados onde os registros foram feitos, para que a investigação em torno desses números seja aprofundada. “Antes que o Ministério da Saúde, em conjunto com Estados e municípios, realize qualquer divulgação de informações mostrando se existia ou não a circulação do vírus antes do dia 26 de fevereiro, é necessário que os Estados realizem esse processo de análise e verificação dos casos”, afirmou. 

Conforme citado pelo secretário, São Paulo é o Estado que reúne a maior parte desses casos a serem investigados, 25 deles. Em seguida, vêm Rio de Janeiro (4), Ceará, Amazonas e Rio Grande do Sul (2 em cada) e Bahia, Espírito Santo, Goiás e Paraíba (1 em cada). 

Questionado se os 39 supostos casos não representariam um número muito alto de erros de digitação, Macário respondeu que “são milhares e milhares de dados que são digitados e coletados diariamente”, e que “um eventual erro pode acontecer.” O secretário não soube precisar quando teria ocorrido o caso mais antigo entre os que estão em investigação, mas disse que “tem alguns de janeiro.”

Se a data desses casos for confirmada para janeiro, o vírus já estaria circulando no País antes do carnaval.

Um estudo divulgado na segunda-feira, 11, pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), indica que o Sars-CoV-2 começou a se espalhar no País antes dos registros oficiais. De acordo com o trabalho, quando os primeiros blocos carnavalescos foram para as ruas, já havia transmissão comunitária da doença, que, provavelmente, foi muito acelerada pelas aglomerações. Os primeiros casos seriam do fim de janeiro.

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