Fernanda Carvalho/O Tempo
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Ministério investiga caso suspeito de Ebola em Belo Horizonte

Paciente vindo da Guiné procurou unidade de pronto-atendimento com febre e dores; nesta tarde, foi encaminhado a hospital no Rio

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

11 Novembro 2015 | 12h57

Atualizada às 21h13

O Ministério da Saúde iniciou nesta quarta-feira, 11, a investigação de um caso suspeito de Ebola em Belo Horizonte, Minas Gerais. O paciente, de 46 anos e vindo da Guiné, na África, procurou a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) da Pampulha na noite de terça-feira com febre alta, dor muscular e dor de cabeça. Ele chegou ao Brasil em 6 de novembro. Depois de isolado, o paciente foi transferido para o Rio, onde devia passar por exames para identificar a presença do vírus da doença. O nome dele não foi revelado.

O resultado do exame deve ser divulgado 24 horas depois da coleta, prevista inicialmente para esta quarta mesmo. Um outro exame deve ser feito posteriormente, para contraprova. “Em 48 horas depois da coleta do primeiro exame teremos todos os resultados”, disse o secretário de Vigilância em Saúde, Antonio Carlos Nardi. O exame seria feito no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio, referência para casos de Ebola. O transporte do paciente foi feito em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB).

Logo depois da constatação do caso suspeito, a UPA da Pampulha ficou fechada até as 17 horas desta quarta, e foi depois liberada pela Secretaria Municipal de Saúde. A prefeitura de Belo Horizonte informou ter tomado todos os procedimentos recomendados antes da reabertura da unidade para a população. Disse ainda que os funcionários das UPAs da cidade receberam, no ano passado, época de pico na doença no continente africano, treinamento para enfrentar o Ebola. A UPA da Pampulha, localizada no bairro Santa Terezinha, região norte da capital mineira, atende cerca de 300 pessoas por dia.

O município afirma ainda que os médicos fizeram coleta de material para teste rápido de malária no paciente. Porém, não informaram o resultado. Às 12h30, o paciente foi transferido para o Hospital Eduardo de Menezes, também em Belo Horizonte, antes da transferência para o Rio.

Paraná. Este é o segundo caso suspeito de Ebola no País. Em outubro de 2014, um imigrante também vindo da Guiné procurou uma unidade de saúde em Cascavel, no Paraná, com sintomas da doença. Ele foi encaminhado para o Rio para exames, mas a doença foi descartada.

Segundo o protocolo exigido pelo Ministério da Saúde, em suspeitas de Ebola o primeiro passo a ser dado no atendimento inicial é a obtenção de informações sobre o histórico de viagem do paciente nos últimos 21 dias, para pesquisa sobre possível passagem por áreas que possam estar ou ter passado por epidemia da doença.

Ao mesmo tempo, é necessário, caso se confirme a viagem à área com incidência da doença, que o paciente seja colocado em isolamento e que sejam acionados a secretaria estadual e o Ministério da Saúde, além do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), caso haja necessidade de transporte.

Diretor do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch afirmou em Brasília que, apesar de o mundo passar atualmente pelo melhor momento da epidemia de Ebola, desde seu início, os cuidados não podem ser desconsiderados. “A doença provocou grandes danos em diversos países. O fato de estarmos num melhor momento não deve significar que possamos relaxar nas medidas de contenção.”

OMS. No domingo, a Organização Mundial de Saúde (OMS) havia anunciado que a epidemia deu trégua em Serra Leoa. Foram 42 dias sem novos casos. “Esperamos que o mesmo aconteça com a Guiné”, completou Maierovitch. De acordo com ele, o paciente com suspeita de Ebola isolado em Belo Horizonte não apresentava, até o início da noite, sinais de gravidade. / LEONARDO AUGUSTO, ESPECIAL PARA O ESTADO


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