Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Ministério da Saúde pede ajuda do IBGE para montar 'plano de aplicação de testes' de covid-19

Sem os dados que considera necessários, ministro Nelson Teich afirma que não tomará “medida intempestiva” sobre o isolamento social

Vinícius Valfré, Anne Warth, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2020 | 19h25

BRASÍLIA – O ministro da Saúde, Nelson Teich, pediu ao IBGE que ajude a pasta na formatação de um “plano de aplicação de testes” para covid-19 na população. O objetivo do ministério é definir uma amostra a ser submetida aos exames e, assim, arrecadar mais informações sobre o comportamento da doença nas diferentes regiões do País.

Sem os dados que considera necessários, Teich afirma que não tomará “medida intempestiva” sobre o isolamento social, estratégia que hoje é considerada a mais eficaz para controlar a disseminação do vírus. Não foi apresentado um prazo para elaboração ou implementação do plano, tampouco que tipo de informação será privilegiada na amostragem.

“Ninguém vai incentivar medidas que restrinjam a contenção sem informação adequada”, afirmou o ministro, nesta segunda-feira. “O Brasil é heterogêneo. Isso tudo vai ser trabalhado no detalhe. Não vai ter ação que não tenha sido pensada”.

Desde que foi apresentado pelo presidente Jair Bolsonaro como novo ministro da Saúde, Teich afirma que pretende elaborar um "programa de testes" para ampliar a quantidade de informações sobre a disseminação do novo coronavírus no País e, com isso, "conhecer a doença". Os novos critérios para aplicação dos testes, porém, ainda não estão definidos.

Sem qualquer definição sobre diretrizes de relaxamento das medidas de contenção, a única convicção da nova equipe é que, quando elas forem elaboradas, vão levar em conta as especificidades regionais. Novo secretário-executivo da pasta, Eduardo Pazuello disse que a expressão de ordem é “não linearidade”. 

“Precisamos ajustar a não linearidade para cada região, para cada Estado, para cada município. Cada um tem as suas diferenças, os seus resultados. Em alguns lugares o isolamento dá resultado, em outros lugares o isolamento não deu tanto resultado. Em alguns lugares o vírus chegou, em outros o vírus não chegou”, disse.

O ministro Nelson Teich tratou de minimizar as expectativas sobre o pico da doença no País. Exatamente por conta das diferenças regionais e de incidência, não é possível ter precisão. Ele também comentou que os modelos matemáticos podem trazer equívocos.

“A gente tem falado o quão heterogêneo é o País. Então, imaginar um pico igual para todas as regiões não é coisa razoável, não é coisa correta”, destacou. Para Teich, não é possível tratar as previsões como verdades absolutas. “Se não você acaba se programando só para aquele tempo, e você tem que estar preparado para antes e depois”.

Sem coleta do SUS. Foi a segunda vez que Teich participou de coletiva de imprensa da pasta desde que tomou posse. A apresentação marca algumas diferenças para as apresentações feitas por seu antecessor, Luiz Henrique Mandetta. 

Uma delas foi visível nas vestimentas. Embora o secretário de vigilância em saúde, Wanderson Oliveira, seja remanescente da gestão anterior, o colete do Sistema Único de Saúde (SUS) que marcou as entrevistas da equipe de Mandetta foi abolido. Teich, Wanderson e o novo secretário-executivo da pasta vestiram terno e gravata. Wanderson participa de uma transição na pasta e deve deixar o cargo em breve.

Teich também ponderou que as coletivas, “daqui para frente”, serão técnicas. Segundo ele, é preciso refletir sobre o que os números apresentados representam para o avanço da doença no País.

“Nosso objetivo é mostrar informações que usamos no dia a dia para enfrentar o problema. Não dá para colocar número de forma rápida e superficial, por isso que daqui pra frente sempre vai ser uma coletiva técnica”, disse Teich.

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